Adis Abeba – O Exército etíope afirmou que está a responder com contenção ao aumento dos combates no norte do país, enquanto cresce o receio de que os confrontos entre forças governamentais e grupos armados possam transformar-se numa nova guerra civil.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas etíopes, marechal Berhanu Jula, declarou que o Exército está a responder às movimentações provenientes da frente do Tigré com “sabedoria e contenção”.
O responsável acusou a Eritreia de financiar e apoiar grupos armados que procuram enfraquecer o Governo etíope. As autoridades eritreias rejeitaram as acusações.
Os combates já se estenderam do Tigré para as regiões vizinhas de Afar e Amhara. Sete grupos armados anunciaram uma aliança denominada Ethiopian Peoples’ Forces Alliance for Survival, que afirma ter como objectivo retirar do poder o Governo do Primeiro-Ministro Abiy Ahmed.
Na região de Afar, registaram-se confrontos em torno de Abala, onde as forças governamentais procuram impedir que grupos rebeldes assumam o controlo da localidade.
No norte de Wollo, zona de Amhara que faz fronteira com o Tigré, o Exército anunciou ter morto 272 combatentes tigrínios e ferido outros 260 durante uma contra-ofensiva. O TPLF, por sua vez, acusa as forças federais de terem lançado uma ofensiva de grande escala com infantaria, unidades mecanizadas e drones.
A situação coloca sob forte pressão o acordo de Pretória de 2022, que pôs termo à guerra do Tigré, mas deixou por resolver questões políticas, territoriais e de segurança. A ONU manifestou preocupação com informações sobre a utilização de drones contra civis no norte da Etiópia.




