O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, afirmou ontem que o seu país não vai tolerar “qualquer tentativa de ingerência externa no debate democrático”, e em particular nas eleições presidenciais marcadas para daqui a oito meses.
Numa mensagem divulgada nas redes sociais e difundida pela Lusa, o ministro justificou a posição argumentando que os processos eleitorais “são propriedade exclusiva e inviolável dos cidadãos franceses”. A declaração foi uma resposta a uma crítica do candidato presidencial do partido La France Insoumise (LFI), Jean-Luc Mélenchon, na qual o líder da esquerda radical instou o ministro a “chamar os vários supremacistas à ordem em vez de fazer exigências ridículas nas embaixadas”. Mélenchon defendia uma outra candidata presidencial, a ecologista Marine Tondelier, depois de uma disputa desta com o magnata da tecnologia e dono da rede social X, Elon Musk. Musk e Marine Tondelier envolveram-se num duro confronto público após a líder do partido Os Verdes sugerir a suspensão, durante a campanha para as presidenciais, de 18 de Abril a 2 de Maio de 2027, de plataformas como a X, que, na sua opinião, têm um “impacto estrutural” na desinformação. Segundo o líder da LFI, a eleição presidencial francesa não pode ser “uma festa para os manipuladores do mundo”, pelo que prometeu que, se chegar ao poder, irá restaurar “o respeito que deve ser demonstrado pelo país e pela democracia”. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês criticou o candidato do LFI por “misturar alhos com bugalhos” nas suas declarações e salientou que o facto de uma figura política estrangeira manifestar preferência ou rejeição por uma determinada linha política noutro país “não constitui um acto de manipulação do debate público”.




