O garimpo ilegal voltou a provocar uma tragédia no centro de Moçambique, com a morte de uma pessoa e ferimentos em outras duas na sequência do desabamento de uma mina na localidade de Moiane, distrito de Gilé, província da Zambézia.
De acordo com o administrador distrital, Pascoal Sitóe, citado pela agência Lusa, as três vítimas são provenientes da província de Nampula e encontravam-se na zona para a exploração de ouro, actividade usada como fonte de sustento das famílias.
O novo acidente acontece poucos dias depois de uma sequência de desabamentos em zonas de mineração ilegal na região e eleva para dez o número de mortes registadas em menos de uma semana no centro de Moçambique.
Na província de Manica, nove pessoas morreram em três dias no distrito de Vanduzi, igualmente na sequência de desabamentos em áreas de exploração ilegal. Segundo as autoridades locais, a procura de ouro tem levado à abertura progressiva de grandes áreas de escavação, aumentando a instabilidade do terreno.
Uma das áreas de exploração já atingiu cerca de 20 metros de profundidade e 25 metros de diâmetro. O risco é agravado pela concentração de centenas ou milhares de garimpeiros, sobretudo durante a época chuvosa.
As autoridades moçambicanas reconhecem dificuldades no controlo de algumas zonas de garimpo. Em Gilé, o administrador distrital afirmou que as forças policiais enfrentam resistência das comunidades, depois de anteriores operações terem provocado a destruição de um posto policial e de outros estabelecimentos.
O Governo moçambicano tem manifestado preocupação com o crescimento da mineração ilegal, pelos riscos para as comunidades, pelos danos ambientais e pela exploração descontrolada dos recursos minerais.
O Presidente Daniel Chapo anunciou que o regulamento da nova Lei de Minas deverá reforçar os mecanismos de fiscalização e controlo da actividade mineira, numa tentativa de reduzir os acidentes associados à exploração ilegal.
A preocupação estende-se também à presença de menores no garimpo. Em Julho, a Procuradoria-Geral da República identificou cerca de 900 pontos de escavação na província de Manica e alertou para a participação de pessoas com menos de 15 anos nas actividades de mineração ilegal.
O novo desabamento volta a expor, assim, os riscos associados ao garimpo sem condições de segurança e a dificuldade das autoridades em controlar uma actividade que continua a atrair milhares de pessoas em busca de ouro.




