Graça Machel critica SADC por falhar no combate à xenofobia na África do Sul

A viúva de Nelson Mandela afirmou que os líderes da organização regional deveriam ter reunido logo no início das tensões para analisar as causas dos ataques contra cidadãos estrangeiros e definir uma estratégia conjunta.
Segundo Graça Machel, a SADC tem privilegiado reuniões institucionais e interesses económicos, mas tem dado pouca atenção às relações entre os povos da região e aos problemas sociais que alimentam conflitos entre comunidades.
“Se fosse no passado, imediatamente quando estes distúrbios começaram, os chefes de Estado deviam ter-se reunido”, afirmou, defendendo uma abordagem mais profunda sobre a convivência entre as populações dos países membros.
A antiga primeira-dama moçambicana destacou que a solução para a xenofobia passa também pela criação de melhores condições económicas nos países de origem dos migrantes, sobretudo através do aumento da produção agrícola e da segurança alimentar.
Graça Machel questionou por que razão uma região com extensas terras férteis, rios e capacidade produtiva continua dependente da importação de alimentos.
“Todos nós juntos podemos alimentar-nos a nós próprios e até exportarmos”, defendeu, apelando a uma estratégia regional para diversificar a produção alimentar.
A activista associou ainda a migração de milhares de jovens para a África do Sul à falta de oportunidades económicas nos seus países de origem, questionando por que razão muitos acabam por procurar actividades informais naquele país em vez de encontrarem condições para desenvolver os seus negócios localmente.
Para Graça Machel, a SADC deve ir além das declarações políticas e adoptar medidas concretas para promover desenvolvimento, emprego e maior integração entre os povos da África Austral.



