O Presidente da República de Transição da Guiné-Bissau, general Horta Inta-a, afirmou , sábado, que o próximo referendo popular da nova Constituição do país não visa permitir o regresso ao poder do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló.
Num discurso proferido no palácio da Presidência, em Bissau, perante os régulos (autoridades tradicionais), transmitido nas redes sociais, o chefe de Estado de transição exortou-os a exercerem a sua influência junto da população, com a finalidade de garantirem uma votação favorável à entrada em vigor da nova Constituição.
O líder de transição guineense estabeleceu uma distinção entre a natureza do poder político estatal e a autoridade tradicional, afirmando que o Estado não funciona nos moldes tradicionais em que um dirigente preserva o poder de forma vitalícia ou prolongada.
Horta Inta-a foi, entre outros cargos, chefe do Estado-Maior Particular de Umaro Sissoco Embaló e mais tarde chefe do Estado-Maior do Exército, até liderar um golpe de Estado que derrubou Embaló do poder, em 26 de Novembro de 2025.
À frente de um Alto Comando Militar, Horta Inta-a assumiu o poder, tendo desencadeado várias mudanças no funcionamento do Estado guineense, nomeadamente a aprovação de uma nova Constituição, que, basicamente, reforça os poderes do Presidente da República.
O documento será submetido à consulta popular no próximo dia 30, num ambiente de crispação nacional, em que vários sectores da oposição e da sociedade civil apelam ao boicote ao referendo.



