O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou, esta terça-feira, que o mundo atravessa um período de crescente instabilidade e está hoje mais sombrio do que quando assumiu funções, há quase uma década. No seu último discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, o diplomata português alertou para uma “convergência de ameaças sem precedentes” e apelou ao reforço da paz e da cooperação internacional.
Perante os líderes mundiais reunidos em Nova Iorque, Guterres lamentou o aumento dos conflitos armados, das divisões geopolíticas e das desigualdades.
“Na última década, eclodiram guerras com consequências devastadoras e que se prolongaram com uma crueldade atroz. Os civis foram transformados em alvos, os direitos humanos foram pisoteados, a fome foi usada como arma, trabalhadores humanitários foram mortos e o direito internacional foi posto de lado”, declarou.
O secretário-geral apelou ao fim das hostilidades no Médio Oriente, condenou a invasão russa da Ucrânia e voltou a chamar a atenção para a guerra no Sudão, que, segundo afirmou, continua a provocar uma das mais graves crises humanitárias do mundo, sem a devida resposta internacional.
Guterres defendeu igualmente uma reforma do sistema multilateral e a atribuição de um lugar permanente a África no Conselho de Segurança das Nações Unidas, considerando que o continente deve ter uma representação compatível com o seu peso e realidade no cenário internacional.



