Nova Iorque - O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou hoje os Estados Unidos e Rússia a negociarem uma estrutura sucessora para o Novo START, o último pacto vinculativo de controlo de armas nucleares que expirou em Fevereiro.
Nova Iorque - O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou hoje os Estados Unidos e Rússia a negociarem uma estrutura sucessora para o Novo START, o último pacto vinculativo de controlo de armas nucleares que expirou em Fevereiro.
Conforme a Lusa, numa reunião plenária de alto nível da Assembleia-Geral da ONU para celebrar e promover o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, Guterres alertou para os perigos que a humanidade enfrenta sem as salvaguardas construídas ao longo de décadas para conter os perigos desse tipo de armamento.
"Estamos reunidos no momento nuclear mais perigoso desde o fim da Guerra Fria. Oitenta e um anos depois de Hiroshima e Nagasaki, as armas nucleares continuam a lançar uma sombra sobre a humanidade. E essa sombra está a intensificar-se", advertiu.
"Os arsenais nucleares estão a ser expandidos e modernizados. O ruído das armas nucleares está a tornar-se mais alto. Os avanços tecnológicos estão a aumentar as probabilidades de erros e cálculos errados. E, precisamente quando são mais necessárias, as salvaguardas construídas ao longo de décadas para conter estes perigos estão a falhar", frisou.
O líder da ONU recordou que, no início deste ano, o Tratado Novo START expirou e que, pela primeira vez em mais de meio século, não existem limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos.
"Isto mina não só a segurança daqueles que possuem armas nucleares, mas de toda a comunidade internacional", insistiu.
O Tratado Novo START, entre a Rússia e os Estados Unidos, que limitava o desenvolvimento de ogivas nucleares estratégicas, expirou em Fevereiro.
Além disso, a 11ª Conferência de Revisão do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares - que entrou em vigor em 1970 e é assinado por quase todos os países do mundo, com as excepções de Israel, Índia e Paquistão - terminou sem um consenso sobre um resultado substancial.
E a Comissão das Nações Unidas para o Desarmamento concluiu mais uma vez o seu ciclo de três anos igualmente sem recomendações substanciais.
"Não se trata de meras desilusões diplomáticas - são sinais de alerta. E as luzes estão a piscar a vermelho. Riscos crescentes e salvaguardas em ruínas são um caminho sem retorno para o desastre", disse hoje Guterres, em Nova Iorque.
Defendendo que manter a redução dos arsenais globais, iniciada há décadas, é essencial para evitar outra corrida ao armamento nuclear, o secretário-geral apelou aos Estados Unidos e à Federação Russa que comecem a negociar uma estrutura sucessora para o Novo START.
Insistiu também que todos os Estados detentores de armas nucleares devem reduzir o papel das armas nucleares nas suas políticas de segurança, com medidas de fomento da confiança que garantam a transparência.
"O desarmamento não é um favor. É uma obrigação legal vinculativa, estipulada no Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares. Ao celebrarmos este dia importante, é tempo de trilhar um novo caminho. Os Estados que possuem armas nucleares devem retomar o diálogo para evitar qualquer utilização de uma arma nuclear", instou.
O antigo primeiro-ministro português, que deixará a liderança da ONU no final de Dezembro, defendeu mais uma vez a eliminação total das armas nucleares, afirmando que "estes dispositivos de morte nunca devem decidir o destino da humanidade".
"Um mundo dividido não pode ser desculpa para a inacção. Conhecemos o perigo. Conhecemos as consequências. Sabemos o que precisamos de fazer para mudar o rumo", disse.
"A humanidade vive sob a sombra nuclear há mais de oito décadas. Devemos garantir que as gerações futuras não vivem sob esta sombra. Vamos escolher um futuro livre de armas nucleares", concluiu Guterres.
De acordo com o último relatório do Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo, os nove Estados com armas nucleares (Rússia, França, China, Índia, Paquistão, Israel, Coreia do Norte, Reino Unido e Estados Unidos) possuíam 12.241 ogivas nucleares em Janeiro de 2025, 90% das quais pertenciam aos Estados Unidos e à Rússia. OHA




