Ceuta - Mais de mil pessoas, convocadas pela Federação das Associações de Moradores, mobilizaram-se hoje em Ceuta, perto da passagem fronteiriça de Tarajal, para exigir soluções face à crise de imigrantes na cidade autónoma.
Ceuta - Mais de mil pessoas, convocadas pela Federação das Associações de Moradores, mobilizaram-se hoje em Ceuta, perto da passagem fronteiriça de Tarajal, para exigir soluções face à crise de imigrantes na cidade autónoma.
"Um morador de Ceuta nunca desiste" foi um dos slogans mais repetidos numa marcha liderada por uma faixa com a bandeira espanhola que dizia "SOS Ceuta invadida", e que antecedeu outra marcha de motorizadas pela cidade.
Por entre bandeiras espanholas, de Ceuta e europeias, os manifestantes marcharam aproximadamente dois quilómetros ao longo da costa de Ceuta até chegarem à passagem fronteiriça de Tarajal, onde se reuniram durante alguns minutos sob vigilância policial.
Aí, entoaram palavras de ordem contra o governo central e o Reino de Marrocos.
"O sentimento que nós temos é de abandono, tristeza, impotência, desolação e medo, porque não sabemos se amanhã vão tentar trazer mais 80 mil (migrantes)", explicou à agência de notícias Efe David, um dos habitantes de Ceuta que marchou este domingo até à fronteira.
Apesar do que este morador descreveu, Noelia Alcázar, porta-voz do Foro Ciudadano, garantiu à Efe que também se sentem "muito apoiados por outros compatriotas" e que "tudo está a contribuir para uma grande união entre as pessoas".
"Não nos conseguirão derrotar. O governo e a sua posição de poder dentro das instituições são efémeros e não lhes resta muito tempo", alertou.
Já o coronel na reserva Carlos Pavón pediu aos comandantes do Exército que, na mobilização de militares, o façam "com a dignidade e a honra que merecem".
"Estes pobres rapazes estão fartos de estar nesta situação, a trabalhar sem recursos, sem se poderem defender", disse.
A seguir, a ruidosa e numerosa marcha de motas, que começou no passeio central Alcalde Sánchez Prados e terminou na fronteira, incluiu uma homenagem à Legião, uma força militar intimamente ligada à cidade autónoma.
Estas manifestações seguem o evento realizado pelo Fórum Cidadão de Ceuta no sábado, em frente à sede da Delegação do Governo na Plaza de Los Reyes, onde também se mantém um acampamento de protesto para chamar a atenção para a situação em praias como a de Trampolín.
Tanto nesta praia como na Praia Benítez, mais afastada do centro da cidade, milhares de migrantes permanecem acampados em vários abrigos improvisados e barracas ao longo da marginal.
De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela Delegação do Governo, foram disponibilizadas 1.700 vagas em abrigos no Porto de Ceuta, que alberga a maior e mais recente instalação.
Esta capacidade foi acrescentada no final desta semana às instalações já existentes em Loma Margarita (1.300 vagas), Loma Colmenar (1.200 vagas), às 500 vagas adicionais no CETI (Centro de Detenção Temporária de Imigrantes) e às 320 vagas em La Hípica. OHA



