Teerão - Os rebeldes Huthis, que demoraram menos de 48 horas a controlar a costa do mar Vermelho às forças pró-governamentais do Iémen, tiveram ajuda do Irão.
Teerão - Os rebeldes Huthis, que demoraram menos de 48 horas a controlar a costa do mar Vermelho às forças pró-governamentais do Iémen, tiveram ajuda do Irão.
Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), com base em declarações de 10 oficiais e soldados – entre os quais, um responsável Huthi, dois funcionários regionais, um comandante militar iemenita de alta patente e um membro do conselho presidencial no poder do Iémen –, os conselheiros da Guarda Revolucionária iraniana estiveram no terreno a ajudar a dirigir a batalha.
A conquista de posições estratégicas às forças pró-governamentais apoiadas pela Arábia Saudita consolidada este mês, constituiu, de acordo com o grupo de militares, a intervenção mais directa do Irão a favor do seu aliado de longa data desde que a guerra civil do Iémen eclodiu, em 2014.
"A intervenção mostra como o Irão transformou os Huthis num importante parceiro regional, capaz de abrir uma nova frente na guerra mais ampla com os EUA", adianta a AP.
Refere que aquela que foi a maior tomada de território pelos rebeldes em anos, juntamente com o encerramento de um importante oleoduto saudita, fortaleceu a sua capacidade de travar as exportações de petróleo da Arábia Saudita, elevando os preços globais dos combustíveis e dando ao Irão um maior poder de negociação.
Os Estados Unidos têm-se mostrado relutantes em ajudar o seu aliado, a Arábia Saudita, mesmo com os Huthis a ganharem força na guerra civil reacendida do Iémen.
O rápido ataque dos Huthis explorou as divisões entre as forças aliadas ao Governo do Iémen, apoiado pela Arábia Saudita e reconhecido internacionalmente, penetrando nas comunicações internas de uma das principais forças, a Resistência Nacional, para rastrear os seus movimentos e semear a confusão.
Enquanto as forças pró-governamentais recuavam rapidamente, o líder da Resistência Nacional fugiu para a Arábia Saudita.
A importante cidade portuária de Moka foi abandonada, com os residentes a saírem durante a noite, permitindo aos Huthis avançar sem oposição, a 10 de Setembro.
A tomada de ilhas estratégicas próximas aumentou ainda mais a sua capacidade de atacar os carregamentos de petróleo sauditas no Mar Vermelho.
Lembrando que os Huthis não realizavam uma grande campanha ao longo da costa desde 2017, quando as forças governamentais os expulsaram da região, a AP adianta que os rebeldes têm-se concentrado em tentar capturar a província de Marib, rica em petróleo, no centro do Iémen.
Em 2023, um ano depois de um cessar-fogo, os Huthis começaram a atacar navios no nar Vermelho devido à guerra em Gaza, ataques que só pararam com uma campanha de bombardeamento dos EUA, em 2025.
Depois de os EUA e Israel terem atacado o Irão em Fevereiro, os Huthis permaneceram à margem até Julho, quando atacaram a Arábia Saudita, acusando-a de atacar o aeroporto da capital controlada pelos rebeldes, Sanaa.
No ano passado, de acordo com um analista de segurança que acompanha grupos apoiados pelo Irão há quase uma década e que agora dirige uma empresa privada de informação secreta, Mzahem Alsaloum, o Irão começou a fornecer aos Huthis formação intensificada e apoio logístico em mísseis mais avançados, drones e barcos de ataque não tripulados.
No início de Agosto, os Huthis retomaram os ataques contra as forças governamentais, concentrando-se na cidade de Taiz, nas montanhas com vista para a costa, e disparando mísseis e drones contra Moka.
O responsável Huthi ouvido pela AP adiantou que os conselheiros iranianos se concentravam anteriormente no planeamento estratégico e não estavam no terreno, mas a partir dessa escalada, estiveram "presentes a todos os níveis", incluindo no planeamento de manobras tácticas e no trabalho com os comandantes da linha da frente.
Os dois responsáveis regionais, que são regularmente informados sobre os últimos acontecimentos no Iémen, acrescentaram ainda que o Irão prestou apoio directo que ajudou no rápido avanço.
Contactada pela AP, a missão do Irão que está presente em Nova Iorque, para a assembleia geral das Nações Unidas, não respondeu aos pedidos de comentários. OHA




