Telavive - O ministro da Cultura de Israel pediu, hoje, um inquérito para identificar as fontes israelitas que acusam o exército de matar civis em Gaza no documentário "NAZA", premiado no Festival de Cinema de Veneza.
Telavive - O ministro da Cultura de Israel pediu, hoje, um inquérito para identificar as fontes israelitas que acusam o exército de matar civis em Gaza no documentário "NAZA", premiado no Festival de Cinema de Veneza.
Miki Zohar já tinha sugerido, no domingo à noite, que fosse retirada a nacionalidade israelita aos realizadores Yuval Abraham e Rachel Szor, cujo documentário venceu o prémio especial em Veneza, acusando-os de "traição contra o Estado".
O ministro voltou, hoje, a acusar os realizadores de "falta de lealdade para com o Estado e de colaboração com o inimigo", de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).
Anunciou também nas redes sociais que contactou o Ministério do Interior para estudar o pedido de privação da nacionalidade de Abraham e Szor.
"Pedi também que se investigue a forma como os elementos foram obtidos, quem está por trás e que se verifique se as actividades que levaram à sua recolha e publicação podem ter ajudado o inimigo em tempo de guerra", acrescentou.
Também o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da extrema-direita, se insurgiu contra o documentário e considerou que Abraham e Szor "são uma vergonha e uma desgraça para todo o povo de Israel".
"Desapareçam. Tenho a certeza de que os vossos amigos, os nossos inimigos no Hamas em Gaza, vos receberão de braços abertos", escreveu nas redes sociais.
A perda de nacionalidade é legalmente possível em Israel, embora seja raramente aplicada.
O pedido deve partir do Ministério do Interior e ser aprovado por juízes.
O documentário "NAZA" baseia-se nos testemunhos anónimos de 24 membros do exército e dos serviços secretos israelitas.
"NAZA" expõe a forma como, de acordo com os depoimentos, as forças israelitas matam numerosos civis na tentativa de eliminar membros do Hamas.
No documentário de 80 minutos, os entrevistados descrevem como vários sistemas tecnológicos, recorrendo em particular à Inteligência Artificial (IA), permitem ao exército localizar, através dos telemóveis, alegados membros do Hamas e as suas famílias.
"NAZA" é um acrónimo utilizado no seio do exército israelita para designar os "danos colaterais" previstos em cada ataque, de acordo com o documentário.
Uma das pessoas entrevistadas no filme disse que um dos bombardeamentos contra um único alvo matou 500 pessoas que se encontravam nas proximidades.
As forças israelitas "nunca planearam, aprovaram ou executaram um ataque em Gaza no qual estivesse previsto que 500 pessoas, ou qualquer outra ordem de grandeza semelhante, morressem", reagiu hoje o exército.
"Não há qualquer prova que sustente essa afirmação", acrescentou o exército, que já tinha negado recorrer à IA para identificar alvos.
Abraham e Szor integraram a equipa de "No Other Land", com os palestinianos Hamdan Ballal e Basel Adra, sobre o plano israelita de destruição de uma aldeia palestiniana na Cisjordânia que ganhou o Óscar de Melhor Documentário em 2025.
"É realmente muito importante para nós que os israelitas vejam este filme", disse Abraham no sábado, quando foi anunciado o prémio especial para "NAZA" em Veneza. OHA




