Seis jornalistas da plataforma independente de checagem de factos Matsadaash foram acusados de crimes relacionados ao terrorismo pelas autoridades egípcias, num caso que reacende o debate sobre a liberdade de imprensa no país.
Os jornalistas foram detidos entre os dias 28 e 29 de Setembro, durante operações realizadas em várias províncias. Segundo a gestão da plataforma e organizações de defesa dos direitos humanos, os detidos integram toda a redação do Matsadaash, que funciona desde 2018 e investiga frequentemente declarações de autoridades e instituições do Estado.
Os promotores alegam que os jornalistas trabalhavam para a Irmandade Muçulmana, organização proibida no Egipto, e que recebiam financiamento estrangeiro para divulgar o que as autoridades classificam como “notícias falsas”, com o objectivo de enfraquecer a confiança nas instituições estatais e incentivar manifestações.
A Iniciativa Egípcia pelos Direitos Pessoais, que representa os jornalistas, afirma que alguns deles relataram ter sido torturados durante a detenção. O Ministério do Interior egípcio rejeitou as acusações.
Os investigadores alegam ainda que a plataforma recebia financiamento mensal em moeda estrangeira através de transferências ligadas a um membro da Irmandade Muçulmana residente no exterior.
As autoridades dizem ter encontrado, nas contas de redes sociais de dois dos jornalistas, publicações que consideram favoráveis à Irmandade Muçulmana. Um dos acusados teria admitido que a plataforma publicava conteúdos sobre alegadas falhas de instituições e funcionários do Estado, enquanto outro teria afirmado que os jornalistas receberam orientações para divulgar informações com o propósito de provocar descontentamento público.
O Matsadaash e o seu cofundador, Abdelrahman Mansour, activista ligado à revolta egípcia de 2011 e actualmente residente em Nova Iorque, negam as acusações.
A Irmandade Muçulmana foi proibida no Egipto em 2013, após a queda do então Presidente Mohamed Morsi.




