Líder xenófobo sul-africano causa polémica ao defender pagamento milionário a cidadãos e uso de imigrantes como força de trabalho

Um líder conhecido pelo seu discurso xenófobo voltou a gerar forte controvérsia na África do Sul ao defender que o Estado poderia pagar cerca de 1 milhão de rands por ano a cada cidadão sul-africano durante toda a vida, permitindo que os nacionais deixassem de trabalhar e que os empregos fossem desempenhados por imigrantes.
Durante uma intervenção pública, o político afirmou que, considerando uma esperança média de vida de 70 anos, o país teria capacidade para garantir cerca de 70 milhões de rands a cada cidadão ao longo da sua vida. Na sua visão, os sul-africanos poderiam viver desses rendimentos enquanto os imigrantes assumiriam a maior parte da força de trabalho, à semelhança do que, segundo ele, acontece no Dubai.
“Nem precisamos de trabalhar. Podemos deixar que os imigrantes venham trabalhar para nós, como acontece no Dubai”, declarou, em declarações à Royal FM, acrescentando que, se fosse Presidente da África do Sul, transformaria o país “no segundo mais belo do mundo, melhor do que os Estados Unidos”, em apenas um ano.
O dirigente também defendeu que os recursos naturais do país, como ouro e diamantes, deveriam permanecer integralmente na África do Sul, prometendo criar incentivos para que os cidadãos voltassem a trabalhar nas minas e no sector agrícola.
As declarações provocaram uma onda de críticas de economistas, analistas e comentadores sociais, que classificaram as propostas como financeiramente inviáveis e desprovidas de fundamento económico. Especialistas sublinham que a economia sul-africana não teria capacidade para sustentar um programa de pagamentos dessa dimensão.
Também foi contestada a comparação com os Emirados Árabes Unidos. Analistas lembram que, embora o país recorra fortemente a trabalhadores estrangeiros, muitos cidadãos emiratis desempenham funções no sector público, em empresas privadas e em cargos de liderança, contrariando a alegação de que “os cidadãos não trabalham”.
Além da inviabilidade económica, os comentários reacenderam o debate sobre o aumento da retórica anti-imigração na África do Sul, num contexto marcado por episódios recorrentes de violência xenófoba contra cidadãos de outros países africanos.



