O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta terça-feira, 22, que as Nações Unidas atravessam um dos momentos mais críticos da sua história, ao abrir o debate geral da 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
Lula, que pela décima vez faz o discurso de abertura do debate geral, centrou a intervenção na guerra, no enfraquecimento do multilateralismo e na necessidade de reformar o sistema internacional de segurança. A 81.ª sessão decorre de 22 a 28 de Setembro e reúne representantes dos 193 Estados-membros.
O chefe de Estado brasileiro afirmou que a ONU está a falhar numa das suas principais missões: “livrar a humanidade do flagelo da guerra”, defendendo que a credibilidade da organização e a sua capacidade de proteger populações vulneráveis nunca estiveram tão fragilizadas.
Na intervenção, Lula responsabilizou particularmente o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que, segundo o Presidente brasileiro, permanece condicionado pelo direito de veto das grandes potências.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, afirmou Lula.
O Presidente brasileiro recordou que, já em 1946, na primeira sessão da Assembleia Geral, o Brasil alertava para os riscos associados ao direito de veto concedido às grandes potências.
Lula referiu ainda que 2025 registou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, associando o cenário internacional a uma nova corrida aos armamentos e ao agravamento das tensões geopolíticas.
“Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam de se reunir”, defendeu, apelando a uma actuação mais rápida das principais potências perante os conflitos internacionais.
Num dos momentos centrais do discurso, Lula afirmou que a guerra não deve ser encarada como continuação da política por outros meios, mas como resultado do fracasso da política.
“A guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política”, declarou.
O Presidente brasileiro defendeu, por outro lado, que os Estados devem conciliar os interesses nacionais com os interesses da humanidade e voltou a apresentar o multilateralismo como instrumento para enfrentar os principais desafios internacionais.
A intervenção ocorre no debate geral da 81.ª Assembleia Geral, cujo tema é “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Lula também destacou a sua trajectória política, referindo a luta contra a ditadura militar brasileira, as suas três eleições para a Presidência e a retirada do Brasil do chamado Mapa da Fome.
No final do trecho inicial do discurso, o Presidente brasileiro defendeu que a comunidade internacional deve escolher entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação, apelando aos líderes mundiais para assumirem maior responsabilidade na construção da paz.
O Brasil mantém, desde 1955, a tradição de ser o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia Geral da ONU, seguindo-se os Estados Unidos, país anfitrião da reunião.




