A Aliança dos Estados do Sahel (AES) manifestou solidariedade para com o Níger depois de um grupo de soldados ter levado a cabo um ataque amotinado em Niamey no sábado.
A AES, aliança entre o Burkina Faso, o Mali e o Níger, afirmou sentir-se "traída" pelos soldados envolvidos na "campanha de desestabilização" através de ataques contra a Base Aérea 101 e outros locais sensíveis em Niamey.Contudo, em comunicado, o bloco elogiou "a bravura e o profissionalismo das forças republicanas leais" que frustraram a aparente tentativa de golpe.
"A Aliança dos Estados do Sahel (AES) continua totalmente empenhada e mobilizada ao lado do Níger, que partilha da sua determinação em continuar a luta pela soberania e pela paz", referiu o comunicado.
A AES apelou aos povos do Burkina Faso, Mali e Níger para que se mantenham vigilantes contra "campanhas de desinformação, manipulação da opinião pública e tentativas de semear a divisão que possam acompanhar os esforços de desestabilização".
O Governo do Níger afirmou ter retomado o controlo da situação depois de soldados amotinados terem iniciado confrontos armados na capital, Niamey, avançando em direcção ao palácio presidencial e interrompendo a transmissão da emissora estatal.
O motivo exacto dos soldados não ficou imediatamente claro.
Fontes diplomáticas e de segurança disseram à AFP que membros da guarda presidencial do Níger, com o auxílio das forças russas, recapturaram a importante Base Aérea 101, matando alguns dos amotinados após horas de intensos tiroteios.
A Base 101, localizada dentro do complexo do aeroporto internacional, alberga o quartel-general do Afrika Korps da Rússia, em Niamey. A base serve também como comando da força unificada da Aliança dos Estados do Sahel (AES), da qual o Níger é membro juntamente com o Burkina Faso e o Mali.
Quando os confrontos começaram, pouco depois da meia-noite, os soldados bloquearam o acesso ao palácio presidencial e à estação de televisão estatal, Tele Sahel, que esteve fora do ar durante pouco mais de uma hora antes de ser restabelecida.
O ministro da Defesa do Níger, general Salifou Mody, afirmou no sábado, num comunicado na televisão estatal, que um grupo de soldados tinha feito reféns alguns militares num quartel em Niamey, abrindo fogo contra "certos locais sensíveis" da cidade, sem especificar quais. Acrescentou que as tropas e as forças de segurança retomaram o controlo rapidamente e apelou à população local a manter a calma.
O aeroporto e a base militar próxima foram alvos de ataques em janeiro, e o aeroporto e a Base Militar 101 sofreram novos ataques em Junho.
Dezenas de militares mortos e detidos
A emissora RTN exibiu imagens de dezenas de soldados, na sua maioria jovens, a serem exibidos publicamente, após intensos tiroteios e explosões durante a madrugada de sábado numa importante base militar localizada no interior do principal aeroporto de Niamey e perto do palácio presidencial.
Oficiais militares nigerinos de alta patente visitaram domingo a base do Afrika Korps no aeroporto "e expressaram gratidão aos seus militares pela assistência na repressão da rebelião", segundo declarações do embaixador de Moscovo no Níger, Viktor Voropayev, citadas pelos meios de comunicação russos.
Os soldados rebeldes acamparam na base militar até ao final da noite de sábado, enquanto a guarda presidencial protegia o palácio presidencial e foi mobilizada para retomar o controlo da base.
As forças leais ao Governo recuperaram a "vantagem, pelo menos no aeroporto", de acordo com Wassim Nasr, investigador sénior do Centro Soufan. Algumas forças militares, no entanto, dirigiam-se para a capital, sem informação sobre se iam apoiar o motim ou a junta, acrescentou Nasr. O paradeiro do general Abdourahamane Tchiani, que lidera a junta militar que tomou o poder após um golpe de Estado de Julho de 2023, permanece incerto.
O local é sensível: entre Dezembro e Janeiro, acolhia um importante carregamento de concentrado de urânio à espera de exportação. Não foi identificado qualquer movimento dessa carga desde então. O Níger enfrenta desde meados da década de 2010 a ameaça do fundamentalismo islâmico, tal como os vizinhos Burkina Faso e Mali.



