Manifestantes exigem o fim das deportações

Centenas de pessoas marcharam nos últimos dias por várias cidades da África do Sul, exigindo o fim dos distúrbios anti-imigração, que obrigaram dezenas de milhares a fugir do país.
“Queremos que as pessoas que perpectuam a violência e a intimidação contra os estrangeiros sejam responsabilizadas”, disse a activista pelos direitos dos migrantes ThuliNkadimeng, numa marcha de solidariedade em Joanesburgo. Os organizadores dos protestos querem também que o Governo interrompa a deportação e o repatriamento de migrantes. Mais de 60 organizações da sociedade civil, representando comunidades de toda a África do Sul e do continente, juntaram-se às marchas realizadas em Joanesburgo, Pretória, Cidade do Cabo e Durban para exigir justiça e o fim dos distúrbios anti-imigração. Grupos de vigilantes têm realizado marchas anti-imigração por todo o país desde Abril de 2026, exigindo que os migrantes indocumentados abandonem o país. Têm andado de porta em porta a pedir aos migrantes africanos e asiáticos que lhes mostrem os seus passaportes e documentos de identidade, uma acção que o Governo condenou veementemente. Refugiados e migrantes na África do Sul relataram enfrentar diariamente incidentes de assédio, intimidação, extorsão e encerramento forçado dos seus negócios. Esses grupos alegam que os estrangeiros estão a ocupar empregos destinados a cidadãos sul-africanos, a sobrecarregar instalações de saúde e escolas e, alegadamente, a cometer crimes. Milhares de migrantes africanos do Malawi, Moçambique, Gana, Nigéria, Uganda e Zimbabwe foram, entretanto, repatriados voluntariamente pelos seus países. A ministra da Justiça sul-africana, MmamolokoKubayi, afirmou, na semana passada, que o país já tinha reenviado 53 mil migrantes africanos através do repatriamento voluntário e processos de deportação destinados a reprimir a imigração ilegal.


