Presidente zambiano parte como favorito nas eleições

A Zâmbia realiza, hoje, Eleições Gerais, nas quais o actual Presidente Hakainde Hichilema é o favorito para conquistar um segundo mandato, mas poderá enfrentar um forte desafio por parte do líder da oposição, Brian Mundubile.
O Presidente Hichilema fez um apelo aos partidos políticos e aos seus apoiantes para que realizassem campanhas pacíficas antes das Eleições Gerais. Fez estas declarações num comício no distrito de Lusangazi, na Província Oriental. A votação configura-se como um referendo sobre o historial económico de Hichilema desde que assumiu o cargo em 2021, herdando um país abalado por um incumprimento da dívida soberana. O segundo maior produtor de cobre na África tem gozado de uma recuperação económica impulsionada pelos elevados preços do cobre após a reestruturação da sua dívida, mas muitas pessoas ainda se sentem pressionadas pelo custo de vida, que a oposição tentará explorar. A inflação anual abrandou para 6,5% em Junho, o seu nível mais baixo em mais de oito anos, sublinhando a recuperação económica da Zâmbia após a crise da dívida, embora muitas famílias ainda digam que estão a passar por dificuldades. "Muitas das nossas famílias ainda precisam de apoio para além do que estamos a oferecer hoje, mas quero que saibam que nós estamos a vos ouvir", disse Hichilema aos seus apoiantes no lançamento da sua campanha na capitalLusaka. Mundubile, um advogado de 55 anos e membro do Parlamento antes da convocação das eleições, nunca se tinha candidatado à presidência e surgiu como um candidato de última hora depois de uma oposição fragmentada se ter unido à sua volta. Embora a Zâmbia tenha um historial de transições democráticas, a oposição acusou Hichilema de restringir a sua capacidade de fazer campanha e de suprimir a dissidência política, acusações que nega. A Zâmbia introduziu uma nova lei sobre o cibercrime em 2025 que, segundo grupos da sociedade civil, é vaga e pode fazer com que as pessoas tenham medo de se manifestar online. "Qualquer voz dissidente é considerada inimiga do Estado, por isso tem sido muito difícil para a oposição envolver os seus membros", disse Mundubile à Reuters, em entrevista, acrescentando que as reuniões da oposição foram interrompidas pela Polícia. Uma sondagem realizada pela Rede de Inquéritos Eleitorais da Zâmbia, no final do ano passado, concluiu que 51% dos inquiridos esperavam eleições livres e justas e 55% planeavam votar em Hichilema, embora tenha sido realizada antes do lançamento da campanha de Mundubile. Hichilema está a fazer campanha num contexto de melhores indicadores económicos. O Fundo Monetário Internacional projecta que a economia da Zâmbia cresça 4,3% este ano, face aos 3,8% do ano passado e o investimento estrangeiro aumentou. Mas Mundubile afirma que as conquistas económicas do Governo pouco fizeram para melhorar a vida dos zambianos comuns. "Como é que se podem gabar de ter acumulado 6,5 mil milhões de dólares em reservas estrangeiras quando o vosso povo está a passar fome?", disse num comício no mês passado. Campanha com o “fantasma” de Edgar LunguUm fantasma paira sobre a campanha eleitoral da Zâmbia na figura do ex-Presidente Edgar Lungu. Apesar de ter falecido há mais de um ano na África do Sul, o seu corpo continua por enterrar no meio de uma acesa disputa entre o Presidente Hakainde Hichilema e a família Lungu, que acirrou as divisões políticas. Isto contribuiu para reforçar o apoio ao partido da oposição, o Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade (NRPUP), particularmente na metade no Norte do país, bastiões tradicionais da Frente Patriótica (PF) de Lungu, uma vez que a população o considera a melhor hipótese de destituir o actual Presidente. Entretanto, complicou a candidatura de Hichilema e do seu Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND) à reeleição, que concentra o seu apoio no Sul, Oeste e Noroeste, procurando expandir a sua influência a todo o país. Enquanto o calor da tarde castiga a cidade, o zumbido familiar do comércio que paira sobre os mercados movimentados mistura-se com o som de canções e jingles de campanha. Os cartazes eleitorais estão por todo o lado: desde postes de iluminação e fachadas de lojas a outdoors gigantescos, com os rostos dos candidatos à presidência e ao Parlamento a pairar sobre os transeuntes, tudo isto enquanto a Zâmbia se preparava para uma das suas eleições mais imprevisíveis dos últimos anos.


