Bissau - O Alto Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado em Novembro passado na Guiné-Bissau anunciou quinta-feira que "não estão reunidas as condições de segurança" para garantir o regresso do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.
Bissau - O Alto Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado em Novembro passado na Guiné-Bissau anunciou quinta-feira que "não estão reunidas as condições de segurança" para garantir o regresso do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.
Num comunicado divulgado pela comunicação social guineense e consultado pela Lusa nas suas páginas nas redes sociais, o Alto Comando diz ter tomado a decisão numa reunião quinta-feira realizada em Bissau em que foi analisada a situação política, social e de segurança do país.
Nessa reunião, acrescenta, foi determinado que Umaro Sissoco Embalo não poderá regressar ao país "exclusivamente por razões de segurança nacional, da preservação da ordem pública e na prevenção de situações que possam comprometer a estabilidade e a tranquilidade social".
O antigo Chefe de Estado guineense, deposto pelos militares no dia 26 de Novembro de 2025, anunciou, no início desta semana, o seu "regresso voluntário ao país" no próximo domingo e apelou a que a sua chegada decorra "num ambiente de harmonia, tolerância e respeito mútuo".
O anúncio do regresso de Embaló foi feito pelo próprio nas redes sociais.
Dias depois, numa entrevista à revista Jeune Afrique (JA) a partir de Brazzaville, República do Congo, de onde deverá seguir para Bissau, anunciou que será candidato nas eleições presidenciais marcadas para 06 de Dezembro próximo.
No comunicado quinta-feira divulgado, o Alto Comando Militar reitera que continuam em vigor as medidas de segurança estabelecidas no âmbito da Transição Política, nomeadamente a proibição de manifestações, concentrações e aglomerações de cariz político até nova determinação das autoridades competentes.
O documento alerta que "qualquer acto de desacato ou incumprimento" destas normas "será da inteira responsabilidade dos respectivos autores", sem prejuízo das consequências legais.
Perante o cenário, o Alto Comando Militar apelou ao sentido de responsabilidade cívica do povo guineense, bem como à colaboração da comunidade internacional, corpo diplomático, sociedade civil, confissões religiosas e autoridades tradicionais na preservação da paz.
O órgão que dirige a Guiné-Bissau desde o golpe, apelou igualmente a que todos os cidadãos "se abstenham de actos que possam provocar confrontação ou instabilidade", fazendo prevalecer a disciplina e o respeito pelas determinações oficiais.
Também nas redes sociais, partidários do ex-presidente guineense têm apelado para que no domingo haja "uma recepção calorosa" de Sissoco Embaló no aeroporto Internacional de Bissau.
Umaro Sissoco Embaló presidiu a Guiné-Bissau de 27 de Fevereiro de 2020 a 26 de Novembro de 2026, quando foi derrubado por um golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República.
A oposição considerou que se tratou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa.
Os militares marcaram para 06 de Dezembro novas eleições legislativas e presidenciais. MCN




