O líder da ANAMOLA, Venâncio Mondlane, pediu à União Europeia uma posição mais firme perante a situação política e social em Moçambique e defendeu que o bloco considere o corte das relações comerciais com o país caso Maputo continue, segundo a sua avaliação, a afastar-se dos princípios democráticos.
A posição foi apresentada durante a passagem de Mondlane por Estrasburgo, onde manteve contactos com representantes políticos europeus e levou ao Parlamento Europeu preocupações relacionadas com o ambiente político e os direitos humanos em Moçambique.
Mondlane afirmou que a União Europeia, enquanto importante parceiro de Moçambique, não deveria limitar a sua actuação a manifestações diplomáticas de preocupação. Na sua perspectiva, a cooperação económica e comercial deve também ser considerada perante a evolução da situação política no país.
O dirigente da ANAMOLA denunciou aquilo que considera ser uma deterioração do ambiente político e civil, apontando alegadas perseguições contra membros da oposição, detenções e episódios de violência política.
As declarações ocorrem numa altura em que Mondlane enfrenta um processo judicial relacionado com os protestos que se seguiram às eleições gerais de 2024. O Ministério Público moçambicano acusa-o de cinco crimes: apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública à prática de um crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.
Segundo a acusação, as autoridades consideram que as intervenções de Mondlane nas redes sociais contribuíram para mobilizações, bloqueios de estradas, confrontos, destruição de infra-estruturas e paralisação de actividades económicas durante os protestos pós-eleitorais. Essas alegações constam do processo e são contestadas pelo político.
Mondlane rejeita ter incitado à violência e afirma estar preparado para responder às acusações perante a Justiça. O Tribunal Supremo já o notificou para responder no processo, estando o julgamento previsto para ocorrer ainda este ano, embora a data exacta não tenha sido anunciada.
A União Europeia mantém relações de cooperação com Moçambique. Num comunicado conjunto de Junho de 2025, a UE e os seus Estados-membros reafirmaram o compromisso de trabalhar com o Governo moçambicano no âmbito da parceria de desenvolvimento e destacaram a importância de um ambiente favorável ao comércio e ao investimento.
A passagem de Venâncio Mondlane por Estrasburgo ocorre, assim, num momento em que procura levar a situação política moçambicana ao debate internacional, enquanto enfrenta simultaneamente um processo judicial relacionado com os protestos pós-eleitorais.




