Niamey - O exército do Níger recuperou, no domingo, o controlo de uma importante base aérea militar na capital, Niamey, depois de esta ter sido atacada por soldados amotinados, num novo desafio ao Governo do general Abdourahamane Tiani.
Niamey - O exército do Níger recuperou, no domingo, o controlo de uma importante base aérea militar na capital, Niamey, depois de esta ter sido atacada por soldados amotinados, num novo desafio ao Governo do general Abdourahamane Tiani.
O ataque evidencia as tensões existentes no seio das Forças Armadas nigerinas, que têm sofrido sucessivas perdas no combate contra grupos jihadistas ligados à Al-Qaida e ao Estado Islâmico na região do Sahel.
De acordo com três fontes citadas pela Reuters, elementos do Africa Corps, força paramilitar controlada pelo Kremlin, desempenharam um papel importante na recuperação da base aérea pelas forças leais ao Governo.
Uma fonte de segurança afirmou que combatentes do Africa Corps participaram directamente nos confrontos na capital, enquanto outra, especialista em conflitos no Sahel e em contacto com intervenientes em Niamey, disse que as forças russas utilizaram drones kamikaze durante a operação, sobretudo na batalha pela base aérea.
Uma terceira fonte indicou que pelo menos um ataque com drone contribuiu para obrigar os soldados amotinados a renderem-se.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia confirmou que o ataque à capital foi repelido pelo exército nigerino com o apoio do Africa Corps, reiterando que Moscovo continuará a apoiar o Níger no combate aos grupos extremistas.
Num outro gesto de apoio, o Ministério da Defesa da Argélia anunciou domingo o envio de quatro aviões de combate e outro equipamento para ajudar o exército do Níger a “combater a tentativa de desestabilização” do país vizinho.
A Guarda Presidencial do Níger também se mobilizou em defesa do Presidente Abdourahamane Tiani, segundo três fontes de segurança.
O Presidente Abdourahamane Tiani prometeu inverter a situação de insegurança no país e combater os grupos jihadistas.
Desde então, o Níger afastou-se dos seus tradicionais parceiros ocidentais, nomeadamente a França e os Estados Unidos, e reforçou a cooperação militar com a Rússia.
Tiani tem acusado França e outros países da África Ocidental de estarem por detrás de anteriores actos de instabilidade na capital.
O governante não apareceu publicamente desde o ataque de sábado, durante o qual explosões e tiros foram ouvidos durante várias horas em Niamey.
Moradores disseram que a capital apresentava-se calma domingo e hoje, enquanto aeronaves sobrevoavam a cidade e as autoridades retiravam as barreiras instaladas durante os confrontos.
A base aérea de Niamey acolhe a força de combate ao terrorismo da Aliança dos Estados do Sahel, integrada pelo Níger, Mali e Burkina Faso.
A instalação é igualmente utilizada por efectivos russos e italianos e já foi alvo, este ano, de ataques de grupos ligados ao Estado Islâmico e à Al-Qaida.
A televisão estatal informou que o ataque envolveu “centenas de soldados descontentes”.
A nova crise ocorre num momento em que o Níger, importante produtor de urânio e exportador de petróleo e ouro, reforça o controlo estatal sobre o sector mineiro, incluindo através da apreensão de activos da empresa francesa de combustível nuclear Orano. CV



