Observadores internacionais pediram contenção e respeito pelo processo eleitoral na Zâmbia, após relatos de intimidação, agressões, sequestros e violência durante as eleições realizadas na quinta-feira, 13.
O apelo surge numa altura em que a contagem dos votos enfrenta momentos de tensão. A Comissão Eleitoral suspendeu o processo durante cerca de seis horas na sexta-feira, depois de receber relatos de violência contra funcionários das assembleias de voto e de alegado roubo de boletins.
A contagem foi retomada depois de a comissão anunciar que a ameaça à segurança estava controlada, mas a interrupção provocou preocupação entre as missões de observação.
A missão da SADC, liderada pelo antigo ministro da Justiça do Malawi, Samuel Tembenu, afirmou ter recebido relatos de intimidação, agressões, sequestros e destruição de propriedades em cinco províncias. Alguns dos casos terão resultado em feridos e mortes, embora os observadores tenham sublinhado que não conseguiram verificar todas as informações.
A polícia confirmou a detenção de nove suspeitos relacionados com a morte de um agente eleitoral de 57 anos, ocorrida num bairro periférico de Lusaka no dia da votação. As autoridades policiais, contudo, afirmam que as eleições decorreram de forma geralmente pacífica.
O Parlamento Europeu também manifestou preocupação. O chefe da sua missão de observação, Reinhold Lopatka, considerou que a suspensão da contagem foi desproporcional face ao número de assembleias de voto afectadas e alertou para a necessidade de proteger a credibilidade do processo.
Os observadores europeus receberam ainda informações sobre alegada intimidação de membros da oposição, incluindo por forças de segurança, desistência de candidatos sob pressão e interrupção violenta de comícios.
Perante o ambiente de tensão, a missão da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos apelou aos principais actores políticos para evitarem declarações inflamatórias, não anteciparem resultados e respeitarem o Estado de Direito.
A União Europeia defendeu igualmente a divulgação dos resultados detalhados ao nível de cada assembleia de voto, considerando que a transparência poderá contribuir para aumentar a confiança dos eleitores.
A Comissão Eleitoral começou a divulgar os resultados por circunscrição e promete anunciar os resultados finais até segunda-feira.
A eleição coloca frente a frente o Presidente Hakainde Hichilema, que procura um segundo mandato, e o seu principal adversário, Brian Mundubile, antigo ministro do Governo da Frente Patriótica.
Com cerca de 8,7 milhões de eleitores registados, a eleição é vista como um teste à governação de Hichilema e à estabilidade democrática da Zâmbia, país que possui um histórico de transições pacíficas de poder.



