Vinte e nove organizações internacionais de direitos humanos exigiram a libertação imediata e incondicional de três defensores dos direitos humanos que, segundo as entidades signatárias, foram raptados no Camboja e posteriormente detidos pelas autoridades vietnamitas.
Num comunicado conjunto divulgado pela Freedom House, as organizações pedem ao Governo do Vietname que liberte Nguyen Duc Thuan, cidadão norueguês, Tran Hiep, cidadão australiano, e Thai Cong Truong Son, de origem vietnamita e residente no Camboja.
As entidades exigem igualmente que as autoridades consulares da Noruega e da Austrália tenham acesso imediato aos respectivos cidadãos, enquanto estes permanecerem detidos.
Segundo o comunicado, Nguyen Duc Thuan, de 52 anos, e Tran Hiep, de 51, desapareceram na manhã de 18 de Setembro de 2026, quando viajavam para a região de Kaoh Andaet, no Camboja. Durante dez dias, os dois homens terão permanecido sem contacto com familiares e colegas.
A 28 de Setembro, o Ministério da Segurança Pública do Vietname anunciou que os três homens tinham sido detidos por alegada entrada ilegal no país, através do posto fronteiriço de My Quy Tay, no dia 18 de Setembro. Posteriormente, foram colocados sob investigação por suspeita de terrorismo.
As famílias e os colegas dos detidos rejeitam a versão das autoridades vietnamitas e sustentam que os três foram raptados em território cambojano e transportados à força para o Vietname. As organizações signatárias pedem esclarecimentos sobre as circunstâncias da detenção e o local onde os homens se encontram.
As entidades manifestam preocupação com a segurança dos três homens, sobretudo de Thai Cong Truong Son, que, segundo o comunicado, não dispõe de protecção consular estrangeira.
O documento refere que Nguyen Duc Thuan, farmacêutico residente em Oslo, na Noruega, sofre de diabetes e necessita de insulina diariamente. As organizações alertam que uma interrupção da medicação poderá colocar a sua vida em risco.
Tran Hiep, engenheiro informático residente em Melbourne, na Austrália, tem desenvolvido actividades ligadas à justiça social e ao combate ao tráfico de seres humanos.
Os dois homens são membros da Viet Tan, uma organização pró-democracia. Segundo as entidades signatárias, ambos têm sido alvo de medidas de repressão devido à sua actividade pacífica em defesa dos direitos humanos e da democracia no Vietname.
O comunicado enquadra o caso num alegado padrão de repressão transnacional atribuído às autoridades vietnamitas, recordando episódios anteriores de detenções e transferências forçadas de críticos do Governo a partir de outros países.
Entre os casos mencionados estão os de Trinh Xuan Thanh, raptado em Berlim, em 2017, e de activistas detidos na Tailândia e posteriormente condenados ou transferidos para o Vietname.
As organizações consideram que o caso levanta preocupações sobre o respeito pela soberania dos países, pelas garantias legais dos detidos e pelas normas internacionais de protecção dos direitos humanos.
Além de exigir a libertação dos três homens e a retirada das acusações, as organizações apelam aos governos da Noruega e da Austrália para intensificarem os contactos diplomáticos com o Vietname e exigirem acesso consular regular aos respectivos cidadãos.
Pedem também que as autoridades vietnamitas revelem o local de detenção dos três defensores, permitam o contacto com familiares e advogados da sua escolha e garantam a Nguyen Duc Thuan acesso ininterrupto à insulina e aos cuidados médicos necessários.
O comunicado é subscrito por 29 organizações, entre as quais a Freedom House, a ARTICLE 19, a Human Rights Foundation, a Viet Tan e a Cambodian Center for Human Rights.
As entidades afirmam que continuarão a acompanhar o caso até à libertação dos três homens.




