A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) adiou o encerramento da sua base temporária em Abiemnhom, no estado de Unity, devido às persistentes ameaças à segurança da população civil.
A decisão foi tomada depois de a chefe da UNMISS, Anita Kiki Gbeho, ter visitado a região e constatado no terreno os riscos enfrentados pelas comunidades, num contexto marcado pela violência comunitária e pelo agravamento da situação humanitária.
A preocupação aumentou depois do ataque de 1 de Março de 2026, quando intensos tiroteios obrigaram milhares de pessoas a abandonar as suas casas e a procurar refúgio na base das Nações Unidas.
As forças de paz mongóis abriram os portões da base para acolher os civis e prestaram assistência médica a dezenas de feridos. Muitas famílias continuam, entretanto, a tentar reconstruir as suas vidas depois de terem perdido casas e plantações, destruídas ou saqueadas durante os confrontos.
Durante a visita, os moradores manifestaram à chefe da UNMISS o receio de que a saída das Nações Unidas deixasse a comunidade ainda mais vulnerável a novos episódios de violência.
Anita Kiki Gbeho garantiu que a missão continuará na região para cumprir o mandato de protecção de civis e, ao mesmo tempo, apoiar as comunidades na procura de soluções para a violência que tem afectado a região.
A insegurança não é, porém, o único desafio enfrentado pelo estado de Unity. A região prepara-se também para uma nova época de chuvas, num cenário em que as inundações continuam a ameaçar milhares de pessoas.
A cidade de Bentiu e as áreas circundantes permanecem afectadas pelas cheias que atingem a região desde 2019. Durante a estação chuvosa, o aumento do nível das águas coloca uma pressão adicional sobre os diques construídos para proteger as comunidades deslocadas e a população local.
As autoridades e as comunidades defendem o reforço dessas estruturas, a melhoria dos sistemas de drenagem e a preparação de rotas de evacuação, de modo a reduzir o impacto de eventuais novas inundações.
O presidente do Comité Comunitário do campo de deslocados de Bentiu, Nyier Gatchang Pouch, considera que as comunidades não têm capacidade para enfrentar sozinhas o avanço das águas e pede uma maior intervenção das autoridades.
Perante este cenário, a UNMISS mantém patrulhas na região, promove o diálogo entre líderes comunitários e apoia iniciativas de reconciliação e construção da paz.
A permanência da base em Abiemnhom surge, assim, como uma resposta às actuais necessidades de protecção da população, numa altura em que a missão enfrenta também limitações financeiras e uma redução da sua capacidade operacional.
Para a UNMISS, a protecção dos civis, o reforço da segurança comunitária e o apoio aos processos de paz continuam a ser prioridades enquanto persistirem os riscos na região.



