O primeiro-ministro de transição da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, confirmou que lidera o Partido Popular Guineense (PPG), uma nova formação política criada no país.
A confirmação foi feita numa entrevista à Forbes África Lusófona, na qual Vieira Té falou pela primeira vez de forma directa sobre o seu papel na estrutura do partido. O primeiro-ministro afirmou que o PPG resulta de uma “profunda reflexão” sobre o futuro da Guiné-Bissau e negou que a formação tenha sido criada para servir os interesses de uma determinada figura política.
“O PPG não foi criado para servir de instrumento a ninguém nem para funcionar como extensão, substituto ou plataforma de qualquer [outra força]”, afirmou.
A revelação ocorre num momento de transição política na Guiné-Bissau e num contexto em que o novo partido tem sido associado ao antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló. Vieira Té rejeitou essa interpretação e procurou demarcar a nova formação da influência do ex-chefe de Estado.
Os dois mantêm uma relação política desde o período em que Vieira Té integrou o Governo de Embaló como ministro das Finanças e, posteriormente, assumiu funções como director da sua campanha eleitoral.
O actual primeiro-ministro reconheceu essa ligação, mas afirmou que ela pertence ao seu percurso político anterior e não determina as decisões que toma actualmente à frente do Governo de transição.
“Existiu confiança política e institucional entre nós e não considero sério reescrever hoje essa parte da história apenas porque as circunstâncias políticas mudaram. Mas uma coisa é reconhecer o passado; outra, completamente diferente, é permanecer politicamente subordinado ao passado”, declarou.
Vieira Té acrescentou que mantém respeito por Umaro Sissoco Embaló, mas rejeitou qualquer relação de tutela ou dependência política.
“Hoje, as minhas decisões enquanto primeiro-ministro são determinadas por aquilo que considero ser o interesse da Guiné-Bissau”, afirmou.
A confirmação da liderança do PPG coloca Vieira Té directamente no centro do novo projecto político, numa altura em que o país se prepara para uma nova etapa institucional.
Sobre uma eventual candidatura presidencial, o primeiro-ministro não anunciou uma decisão definitiva. Vieira Té afirmou manter disponibilidade para continuar a servir o país, mas indicou que qualquer decisão nesse sentido deverá ser tomada no quadro das instituições partidárias e da legislação guineense.
O chefe do Governo de transição defendeu ainda que o processo político deve conduzir o país a eleições credíveis e ao regresso da normalidade institucional.



