Port Sudan - Os abrigos de emergência e os suprimentos de ajuda humanitária no Sudão, país devastado pela guerra, podem acabar até o final de Setembro sem novos financiamentos, alertou a Organização Internacional para as Migrações, ameaçando paralisar um fluxo crucial de ajuda.
Port Sudan - Os abrigos de emergência e os suprimentos de ajuda humanitária no Sudão, país devastado pela guerra, podem acabar até o final de Setembro sem novos financiamentos, alertou a Organização Internacional para as Migrações, ameaçando paralisar um fluxo crucial de ajuda.
A agência de migração das Nações Unidas afirmou, segunda-feira que seu Canal Humanitário Comum, uma linha de logística compartilhada que envia suprimentos de emergência para mais de 100 parceiros humanitários em todo o país, enfrenta uma paralisação iminente.
Embora os estoques emergenciais de abrigo, saneamento e suprimentos domésticos devam se esgotar em poucas semanas, a agência afirmou que só poderá manter sua capacidade de armazenamento e operação até Dezembro sem apoio imediato de doadores, informou o Sudan Tribune.
“Todo o sistema humanitário pode entrar em colapso em poucas semanas se não agirmos agora”, disse Amy Pope, diretora-geral da OIM. “Sem novos financiamentos, não conseguiremos levar ajuda onde ela é mais necessária”, lamentou
O Sudão está mergulhado em intensos combates desde Abril de 2023, desencadeando a maior crise de deslocamento do mundo. Inundações sazonais severas e chuvas torrenciais agravaram o desastre, destruindo abrigos improvisados e provocando ondas repetidas de deslocamento.
De acordo com a Matriz de Monitoramento de Deslocamento da OIM, aproximadamente 8,6 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente no Sudão, enquanto 4,9 milhões retornaram. Quase 70% dos deslocados internos estão abrigados em casas de famílias anfitriãs ou sobrevivendo em assentamentos informais.
O projecto Common Pipeline alcançou 2,84 milhões de pessoas desde Julho de 2023, mas a escassez de financiamento tem limitado constantemente o seu alcance. Depois de atender mais de 1 milhão de pessoas em 2024, as entregas caíram para 804 mil em 2025 e, até o momento, apenas 330 mil pessoas foram atendidas em 2026.
A OIM alertou que o desmantelamento do centro logístico prejudicaria gravemente os esforços de ajuda, observando que a reconstrução das redes de aquisição, dos armazéns e dos sistemas de coordenação com os parceiros após uma interrupção seria dispendiosa e demorada.
A exposição prolongada às intempéries, doenças não tratadas e insegurança representam graves riscos de protecção para as famílias deslocadas, afirmou a agência, alertando para o aumento da vulnerabilidade à violência de género, despejos forçados e deslocamento secundário em acampamentos superlotados.
A agência afirmou que precisa de US$ 15 milhões para manter as operações mínimas para 305 mil pessoas nos próximos 12 meses. Um aporte de US$ 27 milhões restauraria a assistência aos níveis de 2025 para 570 mil pessoas, enquanto US$ 42 milhões expandiriam o sistema para fornecer ajuda vital a 1 milhão de pessoas. ADR




