O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, considera normal que Umaro Sissoco Embaló manifeste a intenção de regressar à Guiné-Bissau e de concorrer às eleições, mas questiona as condições políticas em que esse regresso poderá acontecer.
Em entrevista à RTP África, o dirigente guineense afirmou que o regresso do antigo Presidente acontece num contexto em que, segundo a sua avaliação, as actividades políticas estão suspensas e outras formações não conseguem exercer livremente os seus direitos. A entrevista foi divulgada pela RDP África em 24 de agosto.
Domingos Simões Pereira entende que este cenário poderá criar condições para o regresso de Sissoco Embaló e para uma eventual tentativa de retomar a Presidência da República.
“Tudo acontece num quadro em que todas as actividades políticas estão suspensas, em que outras formações não podem livremente exercer as suas responsabilidades e direitos”, afirmou o líder do PAIGC.
O político referiu ainda que uma junta militar mantém o controlo do país desde novembro do ano passado, período em que foi interrompido o processo eleitoral.
Sobre o seu próprio regresso a Bissau, Domingos Simões Pereira, que se encontra em Portugal, disse que terá primeiro de avaliar se existem condições objectivas para regressar e exercer livremente os seus direitos e responsabilidades enquanto líder político.
“Se não for forçado [a regressar], terei que avaliar se há condições objectivas para esse efeito, para chegar lá e exercer livremente os meus direitos e competências enquanto líder político”, declarou.
As declarações surgem num momento em que Sissoco Embaló anunciou o regresso à Guiné-Bissau e a intenção de concorrer às eleições presidenciais de 6 de dezembro. O actual Presidente de Transição, general Horta Inta-a, já tinha afirmado que o referendo constitucional não tinha como objectivo permitir o regresso de Embaló ao poder.




