Bucareste - O Parlamento romeno rejeitou, hoje, a candidatura do liberal pró-europeu Siegfried Muresan a primeiro-ministro, prolongando a crise política e abrindo caminho à possibilidade de eleições legislativas antecipadas.
Bucareste - O Parlamento romeno rejeitou, hoje, a candidatura do liberal pró-europeu Siegfried Muresan a primeiro-ministro, prolongando a crise política e abrindo caminho à possibilidade de eleições legislativas antecipadas.
O eurodeputado recebeu 182 votos, bastante abaixo dos 233 necessários para a investidura do seu Governo, segundo os resultados oficiais.
Conforme a Lusa, esta é a segunda vez que o Parlamento rejeita um candidato proposto pelo Presidente romeno, Nicusor Dan, desde a queda do Governo do pró-europeu Ilie Bolojan, no início de Maio.
Um terceiro candidato anteriormente indigitado tinha desistido antes da votação parlamentar, por considerar que não conseguiria obter apoio suficiente.
"Outro candidato proposto por Nicusor Dan FRACASSOU", escreveu o líder da Aliança para a União dos Romenos (AUR), principal partido de extrema-direita e segunda maior força parlamentar.
O AUR, que prometeu bloquear todos os candidatos apresentados pelo chefe de Estado, exige eleições antecipadas.
O partido lidera duas sondagens recentes, com cerca de 40% das intenções de voto numa e 36% noutra.
O Partido Social-Democrata (PSD), maior força parlamentar, com 129 lugares, também tem recusado apoiar os candidatos propostos por Dan e exige que o próximo primeiro-ministro pertença às suas fileiras.
"A Roménia precisa urgentemente de um governo com plenos poderes para mudar a direcção errada que estamos a seguir! Estamos prontos para assumir a tarefa de reconstruir a Roménia", afirmou o líder social-democrata, Sorin Grindeanu, após a votação.
O PSD integrava a coligação governamental, mas rompeu com o executivo em meados de Abril, contestando as medidas de austeridade adoptadas por Bolojan para reduzir o défice orçamental, o maior da União Europeia (UE).
Os sociais-democratas aliaram-se posteriormente ao AUR para derrubar o Governo, permanecendo Bolojan desde então responsável pela gestão dos assuntos correntes.
Com a rejeição de Muresan, estão reunidas as condições legais para a realização de eleições antecipadas.
A extrema-direita ameaçou iniciar um processo de destituição do Presidente caso este não convoque o escrutínio.
Nicusor Dan tem recusado essa possibilidade, argumentando que novas eleições apenas prolongariam a crise política, e afastou repetidamente a formação de um Governo que inclua a extrema-direita.
Segundo analistas, nenhum dos principais partidos, à excepção do AUR, terá interesse numa nova ida às urnas.
A Roménia, com cerca de 19 milhões de habitantes, regista actualmente o défice orçamental e a inflação mais elevados da UE.
A actual crise segue-se a outro período de turbulência política entre o Outono de 2024 e Junho de 2025.
Bolojan chegou então ao poder apoiado por quatro partidos pró-europeus, incluindo o PSD, após várias semanas de negociações.
A formação do Governo ocorreu depois da repetição das eleições presidenciais, na sequência da anulação do escrutínio de Novembro de 2024, marcado pela ascensão de um candidato de extrema-direita e por acusações de interferência russa na campanha. OHA




