Londres - Pelo menos três pessoas morreram hoje quando tentavam atravessar o Canal da Mancha para entrar clandestinamente no Reino Unido, anunciaram as autoridades do departamento territorial de Pas-de-Calais, na margem francesa do canal.
Londres - Pelo menos três pessoas morreram hoje quando tentavam atravessar o Canal da Mancha para entrar clandestinamente no Reino Unido, anunciaram as autoridades do departamento territorial de Pas-de-Calais, na margem francesa do canal.
"Um naufrágio envolvendo um táxi aquático ocorreu hoje ao largo da costa de Wissant", disseram, acrescentando que está prevista uma conferência de imprensa em Calais ainda esta manhã.
Com este incidente, sobe para 22 o número de pessoas que morreram desde o início do ano a tentar atravessar o Canal da Mancha clandestinamente, segundo uma contagem da agência francesa de notícias AFP baseada em dados oficiais.
Todos os passageiros a bordo pediram resgate e foram socorridos, de acordo com as autoridades regionais do Canal da Mancha e do Mar do Norte, que confirmaram que a embarcação não afundou.
O navio de resgate 'Minck' chegou ao porto de Calais a meio da manhã, onde começou a desembarcar os envolvidos, sendo que alguns foram retirados em macas ou cadeiras de rodas ou cobertos com mantas de emergência.
Vários veículos dos bombeiros e da polícia foram mobilizados, bem como um autocarro.
A técnica do "barco-táxi", particularmente arriscada, consiste em usar um bote para atravessar clandestinamente o mar ao longo da costa e, em seguida, resgatar os migrantes directamente na água para evitar a fiscalização em terra.
Três corpos foram recuperados na semana passada após partidas caóticas deste tipo na região de Pas-de-Calais.
Na semana passada, as autoridades britânicas deram conta da chegada de 781 migrantes ilegais ao país, o total diário mais elevado deste ano.
As travessias do Canal da Mancha em embarcações improvisadas começaram em 2018, sendo que, este ano, já foram registados vários recordes de pessoas resgatadas ou a bordo de pequenos botes.
A França e o Reino Unido têm um acordo de devolução mútua de migrantes ("one in, one out"), que está em vigor até Outubro, e que implica que os migrantes sem documentos que cruzem o Canal da Mancha a partir da costa francesa sejam devolvidos a França desde que, em troca, o Reino Unido acolha, através de rotas legais, outro refugiado ou requerente de asilo que se encontre em solo francês.
O objectivo deste acordo, adoptado no ano passado pelo Presidente francês, Emmanuel Macron e pelo então primeiro-ministro britânico Keir Starmer, visa combater as redes de tráfico humano, demonstrando aos migrantes que a travessia irregular resultará no seu regresso imediato a França, e que existem vias legais e seguras para entrar em território britânico.
A maior parte dos migrantes que cruzam o Canal da Mancha em pequenas embarcações provém de países marcados por conflitos armados ou regimes autoritários, como a Eritreia, Afeganistão, Sudão, Irão ou a Somália. CQ/AM




