PR moçambicano apela à cooperação face aos desafios da água e mudanças climáticas

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu esta Segunda-feira, 26, em Maputo, uma resposta coordenada, inovadora e solidária para enfrentar os desafios da gestão de recursos hídricos e zonas costeiras, no contexto das alterações climáticas.
O chefe do Estado falava na abertura do 16º Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos (SILUSBA) e do 11º Congresso de Planeamento e Gestão de Zonas Costeiras de Países de Expressão Portuguesa, que decorrem simultaneamente na capital moçambicana.
“É para nós uma grande honra presidir o 16º Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos, este que é momento ímpar de reflexão, de partilha de conhecimento e reforço de compromissos sobre a gestão sustentável dos recursos hídricos e das zonas costeiras dos países de língua oficial portuguesa”, declarou o Presidente Chapo, sublinhando a importância estratégica do evento para África, a região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e Moçambique.
Sob o lema “Gestão dos Recursos Hídricos e das Zonas Costeiras em Cenários de Adaptação Climática”, os dois fóruns reúnem especialistas de vários países lusófonos e assumem particular relevância para Moçambique, país que partilha nove das quinze principais bacias hidrográficas da África Austral.
O estadista saudou as associações organizadoras nacionais e estrangeiras pela escolha de temas actuais e pertinentes.
Recordando que Moçambique acolheu o SILUSBA pela primeira vez em 2013, numa altura de severas cheias na bacia do Limpopo, o Presidente da República destacou os contributos anteriores do evento para a melhoria da gestão de cheias.
“Colhemos ideias bastante valiosas que contribuíram e continuam a contribuir na melhoria de gestão de recursos hídricos”, afirmou.
O governante apontou os investimentos em curso em infra-estruturas de contenção, sistemas de aviso prévio e ordenamento territorial como parte das medidas de adaptação aos fenómenos extremos.
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“O nosso Governo prevê acções de prevenção e adaptação a esta nova realidade global que são as mudanças climáticas”, afirmou.
O Presidente Daniel Chapo revelou que o país já consegue emitir alertas meteorológicos com seis dias de antecedência — contra um dia em 2016 — o que tem permitido reduzir significativamente perdas humanas. “Os resultados das nossas intervenções, com vista a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, já são visíveis”, garantiu.
Na vertente de cooperação regional, o Daniel Chapo reiterou o empenho do país na diplomacia hídrica com os países com os quais partilha bacias como as do Zambeze, Limpopo, Rovuma e Incomáti. Defendeu ainda o reforço de estratégias no seio da CPLP e o diálogo com países com maiores emissões de carbono.
Outrossim, reiterou o compromisso do país com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), destacando o ODS 6 sobre água e saneamento. Referiu-se à nova Estratégia Nacional de Desenvolvimento (2025–2044) e à Lei do Serviço Público de Abastecimento de Água e Saneamento como pilares da transformação estrutural em curso no sector.
No fim do discurso, o Presidente da República expressou confiança de que os encontros em Maputo trarão ideias concretas e soluções ousadas para os desafios partilhados.
“Torna-se imperativo o fortalecimento de estratégias regionais […] para transformar os desafios em oportunidades e, desta forma, contribuir para a independência económica dos nossos países”, afirmou.



