O Presidente iraniano afirmou, ontem, que não irá se demitir, apesar dos rumores de que o líder supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei, estaria a tentar limitar a sua influência.
“Se alguma vez decidir demitir-me, serei eu próprio a anunciá-lo. Mas não me vou demitir e vou manter-me firme”, disse Masoud Pezeshkian, numa entrevista televisiva citada pela agência iraniana Tasnim e cujos estratos foram citados pela Lusa. O jornal norte-americano The New York Times avançou no dia 4 de Julho que Pezeshkian tinha ameaçado demitir-se caso o líder supremo iraniano rejeitasse o memorando de entendimento com os Estados Unidos, firmado a 17 de Junho, o que terá aumentado a pressão sobre o líder religioso xiita para que aprovasse o acordo. Segundo a Organização Não-Governamental (ONG) norte-americana Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), Khamenei acabou por autorizar o acordo, apesar de ter “uma opinião diferente”. A 18 de Junho, o líder supremo “provavelmente atribuiu a responsabilidade pelo acordo a Pezeshkian” e ao Conselho de Segurança iraniano para se distanciar de qualquer “fracasso resultante do memorando de entendimento ou das negociações”, adiantou o ISW. Além do Presidente iraniano, Khamenei estará também a procurar limitar a capacidade de outros responsáveis da linha mais pragmática do regime para influenciar a abordagem de Teerão em relação aos Estados Unidos no actual conflito. Segundo a agência Tasnim, o director adjunto do Gabinete de Comunicação Presidencial, Seyyed Mehdi Tabatabaei, rejeitou também, ontem, as notícias “infundadas” da demissão de Pezeshkian, classificando-as como uma “mentira descarada”. Criticou ainda “os extremistas políticos por espalharem os rumores”, numa “tentativa de minar a unidade nacional e servir os interesses dos inimigos do Irão”, de acordo com a agência noticiosa iraniana. Horas antes de se pronunciar sobre a alegada demissão, o Presidente iraniano disse que a República Islâmica não pretende alargar o conflito com Washington, após o homólogo norte-americano, Donald Trump, ter insistido uma vez mais que os países estavam a negociar.




