Pressão sobre imigrantes leva África do Sul a acelerar deportações

A África do Sul está a intensificar as operações de deportação de cidadãos estrangeiros em situação irregular, numa altura em que cresce a pressão social e política em torno da imigração no país. Apenas na última semana, as autoridades sul-africanas repatriaram 2.745 estrangeiros, no âmbito de uma estratégia de reforço do controlo migratório.
A medida surge num contexto marcado pelo aumento das tensões entre comunidades locais e imigrantes, alimentadas pela elevada taxa de desemprego e pelas dificuldades económicas que afectam o país. Com uma das economias mais desenvolvidas do continente, a África do Sul continua a ser um destino privilegiado para milhares de africanos que procuram melhores oportunidades de vida e de trabalho.
Nas últimas semanas, diversos grupos de cidadãos sul-africanos realizaram manifestações exigindo a saída de estrangeiros sem documentação legal. Em algumas localidades, os protestos assumiram contornos preocupantes, com relatos de intimidação, ameaças e patrulhas informais em bairros com forte presença de imigrantes.
O agravamento da situação levou vários países africanos a organizarem operações de retirada voluntária dos seus nacionais. Governos como os da Nigéria, Malawi, Gana, Zimbabué e Moçambique mobilizaram meios para apoiar cidadãos que decidiram regressar aos seus países de origem por receio de actos de violência.
Segundo o ministro sul-africano dos Assuntos Internos, Leon Schreiber, os cidadãos repatriados encontravam-se maioritariamente em situação migratória irregular. O governante adiantou ainda que as operações deverão prosseguir nos próximos dias.
Entre os casos mais sensíveis está o de cerca de sete mil cidadãos do Malawi que procuraram refúgio num campo improvisado na cidade de Durban, após abandonarem as suas residências por questões de segurança. O governo malauiano enviou autocarros para facilitar o regresso voluntário dos seus nacionais, contando com o apoio logístico das autoridades sul-africanas.
Apesar da crescente pressão popular para o endurecimento das medidas migratórias, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou ao respeito pela lei e rejeitou qualquer tentativa de justiça pelas próprias mãos.
O chefe de Estado reconheceu as preocupações relacionadas com a imigração irregular, mas advertiu que o combate ao fenómeno deve ser conduzido pelas instituições competentes, sem recurso à violência ou perseguição contra cidadãos estrangeiros.
A aceleração das deportações evidencia a crescente pressão sobre o governo sul-africano para responder às preocupações da população, ao mesmo tempo que procura evitar o agravamento das tensões sociais e proteger a segurança das comunidades migrantes.


