A Associação Nacional dos Professores (ANAPR) de Moçambique denunciou, esta segunda-feira, 12, o pagamento incompleto das dívidas relativas às horas extraordinárias, a falta de material escolar e o fraco investimento no sector da Educação, por ocasião do Dia do Professor.
Segundo o porta-voz da Anapro, Marcos Mulima, a data é assinalada num ambiente de frustração entre os profissionais, devido aos atrasos nos pagamentos, à falta de diálogo com o Governo e a procedimentos administrativos que considera excludentes.
Em declarações à agência Lusa, o responsável afirmou que as dívidas relativas às horas extraordinárias acumuladas desde 2022 continuam por regularizar integralmente, apesar das promessas feitas pelas autoridades. A associação recordou ainda ter solicitado ao Tribunal Administrativo uma auditoria às contas públicas relacionadas com o processo, sem obter resposta até ao momento.
Em Junho, o Governo moçambicano garantiu ter regularizado os pagamentos referentes a 2022 e 2023, reconhecendo, contudo, a existência de constrangimentos em algumas províncias quanto às dívidas de 2023.
A Anapro criticou igualmente a redução das contratações de novos professores e a falta de construção de infra-estruturas escolares, num contexto de aumento do número de alunos. A organização apontou ainda dificuldades na distribuição de livros e outros materiais básicos, bem como insuficiências na assistência médica e medicamentosa aos docentes.
Por sua vez, a Organização Nacional dos Professores (ONP) defendeu a melhoria das condições económicas e habitacionais da classe, o pagamento das horas extraordinárias e o reforço dos recursos destinados à formação contínua.
Ao assinalar a data, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu que o crescimento demográfico representa um desafio para o sistema de ensino e prometeu esforços para melhorar as infra-estruturas escolares e reforçar a formação de professores.




