Paris - O ministro do Interior francês anunciou hoje que 440 pessoas, na maioria menores, foram detidas em protestos de estudantes do ensino secundário em centenas de escolas, com numerosos incidentes violentos que provocaram ferimentos em 48 polícias.
Paris - O ministro do Interior francês anunciou hoje que 440 pessoas, na maioria menores, foram detidas em protestos de estudantes do ensino secundário em centenas de escolas, com numerosos incidentes violentos que provocaram ferimentos em 48 polícias.
"Em todo o território nacional, foram realizadas 440 detenções", declarou o ministro Laurent Nuñez à estação televisiva BFMTV, explicando que os detidos causaram danos materiais e confrontos com as forças de segurança.
Nuñez detalhou que os protestos afectaram 416 instituições de ensino, contra pouco mais de 180 no dia anterior, e descreveu o movimento como uma mobilização que se tinha "expandido" e que foi acompanhada por numerosos episódios de violência, incluindo ataques contra agentes e actos de vandalismo.
Um total de 48 elementos das forças de segurança ficaram feridos, quatro vezes mais do que no dia anterior, adiantou o ministro, informa a Lusa.
Também 31 elementos da equipa escolar e alunos ficaram feridos, a maioria com ferimentos ligeiros, segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Educação.
"A gravidade das agressões, especialmente contra as forças de segurança, bem como dos danos e de algumas acções contra funcionários e professores, é significativa", sustentou Nuñez.
O ministro do Interior defendeu a actuação das forças de segurança, afirmando que intervieram de forma "extremamente proporcional" e em coordenação com os responsáveis pelas escolas para evitar incidentes mais graves.
"A violência nunca é legítima", sublinhou o ministro do Interior, classificando de "muito graves" as declarações feitas hoje pelo vice-presidente da Câmara de Saint-Denis (arredores de Paris), Bally Bagayoko (esquerda), que justificou os actos violentos "num determinado momento".
"O direito de se manifestar é uma liberdade fundamental que não pode servir de pretexto para tais actos", declarou o ministro da Educação, Édouard Geffray, classificando as agressões como "inqualificáveis".
"Apresentar reivindicações é um direito. Agredir, ameaçar, incendiar ou impedir os outros de estudar, não", afirmou Geffray numa mensagem nas redes sociais, na qual denunciou disparos e ameaças de morte contra professores.
O ministro afirmou que foram adoptadas medidas para garantir a protecção dos funcionários e que foram iniciadas acções judiciais.
Grupos de alunos reivindicam mais recursos para a educação e denunciam turmas sobrelotadas, cargas horárias excessivas e condições precárias em algumas instituições.
Entre as queixas, figuram também as temperaturas excessivamente altas ou baixas nas salas de aula e a falta de profissionais de apoio nas escolas. AM




