O antigo administrador-geral da Agência Nacional de Informação (ANR) da República Democrática do Congo (RDC), Kalev Mutond, faleceu em Paris, França, confirmaram fontes familiares próximas do antigo responsável pela segurança do país vizinho.
Kalev Mutond, que contava com 69 anos de idade, encontrava-se na capital francesa há cerca de um ano para receber assistência médica especializada. Até ao momento, os familiares não revelaram as causas exactas da morte do antigo homem forte dos serviços de inteligência congoleses, que marcou a história política recente da região.
Trajectória no regime de Joseph Kabila
Durante o mandato do antigo Presidente Joseph Kabila, Kalev Mutond dirigiu a ANR entre os anos de 2011 e 2019, período no qual se afirmou como uma das figuras mais influentes e temidas do aparelho de segurança da República Democrática do Congo. A sua actuação à frente da instituição coincidiu com momentos de elevada tensão política no país vizinho.
Após a transição de poder em 2019, com a ascensão de Félix Tshisekedi à presidência, Mutond passou a ser alvo de sanções financeiras e restrições de viagem por parte dos Estados Unidos e da União Europeia. Em território congolês, foram igualmente apresentadas várias queixas-crimes contra si, que incluíam acusações de detenções arbitrárias, tortura e raptos supostamente cometidos por agentes sob o seu comando directivo.
Rejeição das acusações e reabilitação política
Numa das suas raras aparições públicas pós-governação, numa entrevista concedida à imprensa em 2021, o antigo director rejeitou categoricamente todas as alegações de violação dos direitos humanos. Na ocasião, Mutond defendeu que a agência que dirigia era alvo de uma campanha de difamação política que visava manchar o bom nome das instituições nacionais, assegurando desconhecer quaisquer práticas de tortura ou assassinatos sob a sua direcção.
Após um período de exílio voluntário, o antigo chefe da secreta regressou à RDC em Agosto de 2022. No ano seguinte, as autoridades judiciais de Kinshasa decidiram suspender o mandado de captura que pendia contra si, alegando que os pressupostos legais para a medida tinham deixado de existir, o que permitiu a sua circulação sem restrições no país.
Levantamento das sanções europeias
Em Junho de 2023, o Conselho da União Europeia retirou o nome de Kalev Mutond da lista de individualidades sancionadas, na sequência de uma decisão favorável do Tribunal de Justiça da União Europeia. Apesar desta medida de clemência, as autoridades europeias reiteraram que o regime de sanções para a protecção dos direitos humanos na República Democrática do Congo permanece activo para outros dirigentes do antigo regime.




