RDC: Relatório da ONU associa antigo Presidente Joseph Kabila à rebelião do M23

Um novo relatório do Grupo de Peritos das Nações Unidas sobre a República Democrática do Congo (RDC) revela que a plataforma política “Sauvons la RDC”, liderada pelo antigo Presidente Joseph Kabila, tem coordenado acções de desestabilização com os rebeldes do movimento AFC/M23. O documento, que expõe uma forte ligação entre a oposição política e a insurgência armada no leste do país, confirma as suspeitas levantadas pela administração do actual Presidente, Félix Tshisekedi, sobre a cumplicidade de Kabila na crise de segurança regional.
De acordo com as investigações da ONU, a plataforma política fundada por Joseph Kabila apelou activamente a um “levantamento popular” com objectivos estratégicos idênticos aos do grupo armado AFC/M23, uma rebelião apoiada militarmente pelo Ruanda. Os peritos das Nações Unidas documentaram que o antigo chefe de Estado realizou várias visitas a zonas sob controlo rebelde, onde se reuniu em diversas ocasiões com os principais líderes do movimento insurreccional. Fontes locais indicam ainda a possibilidade de uma reestruturação interna na liderança da aliança rebelde, estando Kabila a ser apontado para assumir um papel de destaque na organização.
O relatório da ONU detalha igualmente a dimensão do apoio militar estrangeiro à rebelião. Estima-se que o efectivo total do M23 ronde actualmente os 30 mil combatentes, distribuídos por três zonas de defesa distintas. Adicionalmente, o documento alerta para a presença activa de cerca de 14 mil a 18 mil militares do exército ruandês integrados directamente nas ofensivas contra as Forças Armadas da RDC (FARDC) nas províncias do Kivu Norte e Kivu Sul. Esta forte presença militar estrangeira complica os esforços de pacificação na região e agrava a crise humanitária que afecta milhões de congoleses.
A divulgação deste relatório deita mais lenha na fogueira das tensões políticas em Kinshasa. A confirmação das acusações de Félix Tshisekedi contra o seu antecessor poderá resultar em processos judiciais e no isolamento político de Joseph Kabila. Enquanto a diplomacia regional tenta mediar o conflito, a revelação do envolvimento directo de ex-líderes políticos com forças rebeldes e exércitos estrangeiros coloca em xeque a estabilidade do processo democrático na RDC. A comunidade internacional acompanha com preocupação o desenrolar destes acontecimentos, que ameaçam alastrar-se e desestabilizar toda a região dos Grandes Lagos.


