Rebeldes huthi detêm 20 funcionários da ONU

Abuja - O escritório da ONU no Iêmen disse no domingo que os rebeldes huthis ainda mantinham 20 de seus funcionários presos após o ataque ao prédio da organização em Sanaa no dia anterior, noticiou o jornal nigeriano Punch online.
No sábado, o escritório da ONU deu a conhecer que as forças de segurança huthis fizeram uma “entrada não autorizada” em seu complexo.
“Cinco funcionários nacionais e quinze funcionários internacionais continuam detidos dentro do complexo”, disse Jean Alam, porta-voz do coordenador da ONU no país, no domingo.
A ONU estava em contato com as autoridades em Sanaa, com os estados-membros relevantes e com o governo do Iêmen “para resolver esta grave situação o mais rápido possível, acabar com a detenção de todo o pessoal e restaurar o controle total sobre suas instalações em Sanaa”, acrescentou.
No final do domingo, um funcionário da ONU, pedindo anonimato, disse à AFP que o representante da UNICEF no Iêmen, Peter Hawkins, estava entre os detidos.
Duas fontes de segurança huthis confirmaram que Hawkins estava entre os detidos. – Acusações de espionagem –
Os rebeldes já haviam invadido os escritórios da ONU em Sanaa em 31 de agosto, detendo mais de 11 funcionários, de acordo com a ONU.
Esses funcionários eram suspeitos de espionar para os Estados Unidos e Israel, disse um alto funcionário huthi à AFP na época, sob condição de anonimato.
Numa declaração no sábado, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, Stephane Dujarric, disse: “Continuaremos a pedir o fim da detenção arbitrária de 53 de nossos colegas”.
Ele estava respondendo a um discurso televisionado na quinta-feira pelo líder rebelde Abdelmalek al-Huthi. Afirmou que suas forças desmantelaram “uma das células de espionagem mais perigosas”, que ele disse estar “ligada a organizações humanitárias como o Programa Mundial de Alimentos e a UNICEF”.
Dujarric descreveu as acusações como “perigosas e inaceitáveis”.
O ataque de sábado ocorreu depois que dezenas de funcionários da ONU já haviam sido presos nos últimos meses em áreas controladas pelo grupo apoiado pelo Irão.
Em meados de Setembro, o coordenador humanitário da ONU no Iêmen foi oficialmente transferido de Sanaa — a capital controlada pelos rebeldes huthis — para Áden, a capital interina do governo reconhecido internacionalmente.
Desde 31 de Agosto de 2025, 21 funcionários da ONU foram presos, somando-se aos 23 membros actuais e antigos de ONG internacionais já detidos, de acordo com a ONU.
Dez anos de guerra civil mergulharam o Iêmen, um dos países mais pobres da Península Arábica, em uma das piores crises humanitárias do mundo, diz a ONU.


