O governo da República Democrática do Congo (RDC) manifestou publicamente a sua forte oposição à decisão da Fórmula 1 de realizar um Grande Prémio em Ruanda, agendado para o início da década de 2030. A posição foi expressa pela ministra das Relações Exteriores congolesa, Therese Kayikwamba Wagner, que alertou para o impacto político da iniciativa e para as suas implicações no conflito regional que afecta o leste do país.
De acordo com a chefe da diplomacia congolesa, a realização do evento desportivo internacional pode favorecer a imagem pública do presidente ruandês, Paul Kagame. O anúncio oficial do projecto ocorreu após uma reunião entre Kagame, o CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, e o presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Mohammed Ben Sulayem, para a construção de um circuito em Bugesera, próximo de Kigali.
A contestação de Kinshasa fundamenta-se nas acusações dirigidas a Ruanda pela RDC, pelos Estados Unidos da América e por especialistas das Nações Unidas, que apontam o apoio ruandês ao grupo rebelde M23 no leste congolês. Por sua vez, o governo de Ruanda nega categoricamente as acusações, afirmando que as suas acções de segurança são estritamente defensivas contra grupos armados que operam no país vizinho.
Alertas éticos e financiamento com recursos minerais
A ministra Kayikwamba Wagner revelou que a direcção da Fórmula 1 já tinha sido alertada em Fevereiro de 2025 sobre a melindrosa situação geopolítica. Embora o executivo congolês apoie o regresso da competição ao continente africano — ausente desde 1993 —, defende que a prova seja atribuída à África do Sul como alternativa eticamente viável.
Paralelamente, o governo da RDC exigiu garantias de que o financiamento da infra-estrutura e do evento não envolva recursos provenientes da exploração ilícita de minerais de conflito no seu território, sublinhando que a decisão da Fórmula 1 deve reflectir os valores éticos defendidos globalmente pelo desporto.




