O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, confirmou que o seu governo está em conversações preliminares para adquirir uma participação financeira na futura refinaria de petróleo do magnata nigeriano Aliko Dangote, um megaprojecto orçado em 16 mil milhões de dólares a ser erguido em Lamu, no Quénia. A iniciativa visa fortalecer a segurança energética na região da África Oriental.
Durante uma conferência de imprensa realizada em Kigali, Paul Kagame revelou que as negociações estão numa fase inicial, mas avançam de forma positiva. O líder ruandês reagia assim às informações que dão conta de uma proposta de partilha de 30% do capital social do projecto entre o Quénia, o Ruanda e a Etiópia, um pacote avaliado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares.
Segundo dados avançados por David Ndii, conselheiro económico da Presidência queniana, ao Quénia foi proposta uma participação de 10%, correspondente a 500 milhões de dólares, cabendo ao Ruanda e à Etiópia a divisão da quota restante deste bloco regional.
Capacidade de produção e impacto na África Oriental
A futura infra-estrutura de Lamu terá capacidade para processar até 700 mil barris de petróleo bruto por dia, igualando o potencial da emblemática refinaria de Lagos, na Nigéria, também propriedade do Grupo Dangote. O empreendimento foi desenhado para abastecer de combustíveis refinados os mercados do Quénia, Uganda, Sudão do Sul, Ruanda e Etiópia.
Actualmente, a África Oriental importa quase a totalidade dos produtos petrolíferos refinados de que necessita, apesar de possuir reservas significativas de crude. A nova refinaria promete alterar profundamente esta dependência externa, estabelecendo um centro de refinação de grande escala na costa queniana.
Calendário de construção e protecção de mercado
O início dos trabalhos de construção está previsto para o período entre Setembro e Outubro de 2026, estando a conclusão estimada num prazo de três a cinco anos. Aliko Dangote tem apelado aos governos da região para que criem políticas de protecção de mercado contra a importação de combustíveis mais baratos, nomeadamente da Rússia e da Índia, garantindo a viabilidade económica do investimento.




