Rússia expande diplomacia em África com abertura de novas embaixadas

O governo da Rússia planeia expandir a sua presença diplomática no continente africano, com a abertura de novas missões diplomáticas em quatro países. A medida surge num momento em que Moscovo procura aprofundar as suas relações com África, face ao agravamento das tensões políticas e económicas com os Estados Unidos da América e a União Europeia, decorrentes das sanções internacionais.
De acordo com as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, as novas embaixadas serão instaladas na Gâmbia, Libéria, Togo e na União das Comores. Estes países têm mantido uma postura menos hostil em relação a Moscovo, permitindo ao Kremlin reconstruir a sua influência histórica no continente, que registou um enfraquecimento acentuado após a dissolução da União Soviética na década de noventa.
Este novo plano de expansão dá continuidade ao reforço da presença diplomática russa em África, após a decisão de estabelecer novas embaixadas no Níger, na Serra Leoa e no Sudão do Sul. Paralelamente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia criou um departamento específico dedicado à parceria com os países africanos, sinalizando uma estratégia estruturada e de longo prazo para aprofundar a cooperação política, económica, comercial e de segurança no continente.
A aproximação estratégica da Rússia a África ocorre num cenário de forte pressão internacional sobre Moscovo. As sanções económicas impostas pelo bloco ocidental têm limitado severamente o acesso do país aos mercados financeiros, à tecnologia de ponta e ao comércio internacional. Em paralelo, a Rússia enfrenta desafios internos de abastecimento de combustível devido a ataques recentes às suas infraestruturas energéticas, o que acelera a necessidade de encontrar parceiros estratégicos fora do eixo ocidental.



