O jurista guineense Augusto Nansambe alerta que o regresso de Umaro Sissoco Embaló à Guiné-Bissau poderá provocar um confronto com a Junta Militar que actualmente controla o país.
Em declarações ao programa Especial Informação, da Rádio Correio da Kianda, Nansambe afirmou que a relação entre o antigo Presidente e o comando militar se deteriorou nas últimas semanas, num momento em que Embaló anunciou a intenção de regressar ao país no dia 4 de Outubro.
“Se o Umaro decidir regressar vai haver confronto”, afirmou o jurista, segundo o qual o comando militar terá percebido que o regresso, nas actuais condições, poderá provocar uma escalada de tensão.
A declaração surge depois de o Alto Comando Militar da Guiné-Bissau ter anunciado que não estão reunidas as condições de segurança necessárias para garantir o regresso de Embaló ao território nacional. A decisão foi justificada com razões de segurança nacional, manutenção da ordem pública e prevenção de situações que possam afectar a estabilidade social.
Umaro Sissoco Embaló tinha anunciado publicamente o seu regresso para domingo, 4 de Outubro, depois de permanecer fora do país desde a tomada do poder pelos militares, em Novembro de 2025. O antigo Presidente também confirmou a intenção de concorrer às eleições previstas para Dezembro.
Segundo Augusto Nansambe, antes da decisão pública dos militares terão ocorrido contactos destinados a convencer Embaló a adiar ou evitar o regresso. O jurista afirma que o próprio Governo de transição terá procurado demovê-lo da viagem.
A tensão aumentou ainda depois do desarmamento ou redistribuição de elementos de uma unidade de segurança criada durante o mandato de Embaló. Informações divulgadas sobre a operação apontam para uma tentativa de colocar a segurança presidencial sob controlo directo da hierarquia militar.
O anúncio militar também acontece num ambiente de mobilização dos apoiantes de Embaló. Activistas tinham anunciado preparativos para a sua recepção em Bissau, enquanto diferentes sectores políticos e sociais manifestavam posições divergentes sobre o seu regresso.
Antes da decisão de impedir o retorno, o antigo Presidente defendia que a sua chegada deveria decorrer de forma pacífica, apelando à harmonia, à tolerância e ao respeito entre os guineenses.
Também ouvido pela Rádio Correio da Kianda, o jurista português Rui Verde considera que os acontecimentos recentes podem indicar uma mudança na relação entre Umaro Embaló e os militares que estiveram associados à sua queda.
Rui Verde aponta a substituição de responsáveis ligados à segurança presidencial e, posteriormente, a decisão de impedir o regresso de Embaló como sinais de uma possível autonomização da estrutura militar.
Para o jurista, existem duas interpretações principais sobre o que está a acontecer: os militares podem estar a procurar consolidar o controlo do poder ou a situação pode fazer parte de uma estratégia destinada a reforçar a posição política de Embaló antes de um eventual regresso.
A situação permanece em evolução. O que está confirmado é que a Junta Militar bloqueou o regresso de Embaló previsto para 4 de Outubro, enquanto o antigo Presidente mantém a intenção de participar no processo eleitoral anunciado para Dezembro.




