Brasília - O Senado brasileiro aprovou, na quarta-feira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz o tempo de trabalho semanal sem corte salarial, uma das bandeiras do Presidente Lula da Silva, candidato à reeleição.
Brasília - O Senado brasileiro aprovou, na quarta-feira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz o tempo de trabalho semanal sem corte salarial, uma das bandeiras do Presidente Lula da Silva, candidato à reeleição.
Conforme a Lusa, a proposta, popularmente chamada "fim da escala 6x1", ou seja, cinco dias de trabalho e dois de descanso, foi aprovada em dois turnos no Senado numa mesma sessão plenária e agora vai a promulgação.
A votação foi híbrida, tanto presencial, quanto remota, o que permitiu, por exemplo, Flávio Bolsonaro, que estava em agenda de campanha no Rio Grande do Sul, participar e votar favoravelmente a proposta.
O fim da escala 6x1 foi duramente criticada por grandes entidades e sindicatos patronais das áreas da indústria, comércio e serviços ao classificar a medida como ruim para a economia e que resultará em demissões, além de precarização dos serviços essenciais.
Aprovada em Maio na Câmara dos Deputados e após acordo da base governamental de Lula com o actual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, a PEC foi colocada em votação na quarta-feira.
Alcolumbre decidiu acelerar a tramitação da proposta após o resultado das eleições gerais de 4 de Outubro, após o Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, ganhar maioria das 81 cadeiras do Senado e, assim, ameaçar a sua reeleição ao comando da Câmara Alta, em Fevereiro.
A estratégia de sobrevivência foi uma forma de pressionar o PL sobre o tema, uma vez que, nas últimas semanas, Flávio fez declarações vagas sobre o assunto à imprensa, passando depois a defender flexibilização das leis trabalhistas para que empregado e patrão negociassem horas de trabalho.
Na terça-feira, no entanto, após reunião com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio recuou e disse que votaria a favor da PEC, porque "a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1".
Ainda assim, criticou Lula para dizer que o "Governo pagaria a conta" por supostas perdas económicas, uma vez que os empresários e empresas estão endividados e quebrados.
O cálculo da sua campanha e do pai foi que "Lula cavou um penálti aos 45 do segundo tempo" e que seria melhor o candidato do PL e o próprio partido votarem a proposta para evitar "desgastes desnecessários" com os eleitores.
Atrás de Flávio nas sondagens de intenção de voto e com 2,2 milhões de votos a menos na primeira volta, Lula passou as últimas semanas a provocar o adversário sobre como ele votaria.
A campanha do petista também recuperou as declarações contrárias de Flávio, que já chamou a PEC apresentada pelo Governo de "oportunista", com "grande carga de hipocrisia". OHA




