O ex-Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou o regresso ao país para o próximo dia 4 de outubro, cerca de dez meses depois de ter sido afastado do poder na sequência do golpe militar de novembro de 2025.
O anúncio foi feito esta Segunda-feira, 28, pelo próprio, através das redes sociais, onde apelou a uma recepção marcada pela harmonia, tolerância e respeito mútuo. Embaló afirmou que pretende colocar o interesse nacional e a estabilidade acima das divergências políticas.
Sissoco Embaló encontrava-se em Marrocos desde a sua saída do poder. O antigo chefe de Estado foi deposto em 26 de novembro de 2025, quando os militares assumiram o controlo do país, em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais.
Na altura, sectores da oposição classificaram a intervenção militar como um “golpe cerimonial” e defenderam que Fernando Dias da Costa teria vencido as eleições presidenciais à primeira volta. Essas alegações fazem parte da disputa política em torno do processo eleitoral e não equivalem, por si só, a uma conclusão oficial sobre os resultados.
Após a tomada do poder pelos militares, foi criado um Conselho Nacional de Transição, que assumiu funções do Parlamento. Ilídio Vieira Té foi nomeado primeiro-ministro, enquanto o general Horta Inta-a passou a liderar o processo de transição.
O regresso de Sissoco Embaló acontece num momento de nova disputa política na Guiné-Bissau. As autoridades de transição marcaram eleições legislativas e presidenciais para 6 de dezembro, enquanto sectores da oposição e analistas questionam as condições em que o processo será realizado.
Fontes próximas do antigo Presidente já vinham apontando para o seu regresso e para uma possível tentativa de voltar à disputa pelo poder. Em setembro, a DW noticiou que apoiantes de Embaló tinham lançado uma campanha pelo seu regresso, enquanto críticos alertavam para o risco de aumento da tensão política.




