O Sudão enfrenta uma nova crise de abastecimento de combustíveis, com longas filas nos postos, aumento dos preços e crescimento do comércio ilegal, num contexto marcado pela guerra civil que assola o país.
Perante a situação, o primeiro-ministro Kamil Idriss ordenou o fornecimento adicional de produtos petrolíferos aos postos de abastecimento, numa tentativa de aumentar a disponibilidade e reduzir os constrangimentos no abastecimento. A determinação foi anunciada depois de uma visita do governante a postos de combustível em Cartum.
A crise é atribuída, entre outros factores, à paralisação prolongada da refinaria de Al-Jaili, que anteriormente assegurava uma parcela significativa do consumo interno, obrigando o país a depender fortemente de combustíveis importados.
A escassez de divisas e as dificuldades no financiamento das importações também pressionam o mercado. O Banco Central do Sudão exige aos importadores de produtos petrolíferos uma garantia equivalente a 200 quilogramas de ouro, medida destinada a regular as operações de importação, mas que, segundo analistas, tem restringido o número de empresas participantes no mercado.
A redução da oferta tem contribuído ainda para a expansão do mercado paralelo de combustível nas zonas controladas pelo Governo. Em Cartum, segundo dados reportados recentemente, a gasolina no mercado paralelo chegou a ser comercializada por cerca de 60 mil libras sudanesas por galão, acima do preço praticado nos postos autorizados.
As autoridades sudanesas enfrentam, assim, o desafio de garantir o abastecimento num país onde o conflito armado continua a afectar infra-estruturas, cadeias de transporte e capacidade de importação de produtos essenciais.




