Estocolmo - A Suécia entrou hoje numa fase de difíceis negociações para a formação de um novo Governo, após as eleições de domingo terem dado uma ligeira vantagem ao bloco de esquerda, que conquistou 176 dos 349 assentos parlamentares, mais três do que a ala de direita.
Estocolmo - A Suécia entrou hoje numa fase de difíceis negociações para a formação de um novo Governo, após as eleições de domingo terem dado uma ligeira vantagem ao bloco de esquerda, que conquistou 176 dos 349 assentos parlamentares, mais três do que a ala de direita.
A líder dos social-democratas, Magdalena Andersson, surge, até ao momento, como a principal candidata a formar o próximo Executivo. No entanto, o actual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, do Partido Moderado, mantém a intenção de permanecer no cargo.
O resultado definitivo das eleições só deverá ser conhecido na quarta-feira, com a conclusão da contagem dos votos antecipados e dos votos provenientes do estrangeiro, informa a AFP.
Apesar da vantagem da esquerda, a formação de uma coligação governamental deverá ser complexa, uma vez que partidos de ambos os blocos estabeleceram condições que dificultam possíveis alianças.
O Partido de Esquerda declarou que apenas apoiará um Executivo caso faça parte do Governo, enquanto o Partido do Centro afirmou que não integrará qualquer Governo que inclua membros do Partido de Esquerda.
A cientista política Annika Fredén, da Universidade de Lund, considerou que os dois partidos têm “linhas vermelhas”, mas poderão ser obrigados a rever as suas posições durante as negociações, dependendo das questões políticas em causa.
Do lado da direita, Kristersson deverá procurar ampliar a sua base de apoio através de negociações com partidos do centro. A estratégia poderá enfrentar obstáculos, depois de a direita ter prometido, antes das eleições, atribuir alguns ministérios aos Democratas da Suécia (SD), de extrema-direita, uma possibilidade rejeitada pelos centristas.
A especialista destacou que a Suécia possui uma forte cultura de negociação política e que existe resistência à realização de novas eleições, factores que deverão favorecer a procura de um acordo entre os partidos.
As eleições registaram igualmente uma surpresa com o recuo dos Democratas da Suécia, que perderam cerca de três pontos percentuais em relação às eleições de há quatro anos.
Com cerca de 95 por cento dos votos contados, o SD ocupava o terceiro lugar, atrás dos Social-Democratas e do Partido Moderado de Kristersson.
Segundo Annika Fredén, o resultado poderá estar relacionado com o facto de vários partidos terem adoptado posições mais rigorosas sobre imigração e criminalidade, temas que anteriormente constituíam uma das principais bandeiras dos Democratas da Suécia.
O líder do SD, Jimmie Akesson, reconheceu a perda de votos, embora tenha indicado que o partido poderá continuar disponível para apoiar um eventual Governo liderado por Kristersson, caso a esquerda não consiga reunir apoio suficiente para formar o Executivo. CV




