O Prémio Nobel da Paz 2026 foi concedido a Navanethem “Navi” Pillay, jurista sul-africana de 85 anos, anunciou ontem o Comité Norueguês do Nobel, em Oslo.
Pillay, ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, foi reconhecida pelos seus “esforços para promover a paz e o direito internacional”, segundo o comité responsável pelo prémio.
“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e a sua firme bússola moral são constantes ao longo da sua extensa carreira. Nascida numa família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”, afirmou o presidente do comité, Jørgen Watne Frydnes.
Natural de Durban, na África do Sul, Pillay foi presidente do Tribunal Internacional sobre o Genocídio no Rwanda entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000. Mais recentemente, fez parte da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 2021.
A comissão foi responsável por publicar, em Setembro do ano passado, um relatório que concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza. O Governo israelita classificou as acusações como escandalosas.
Quando o prémio foi anunciado, Pillay ainda não havia sido informada pela conquista, porque o Comité não conseguiu entrar em contacto com ela, segundo Frydnes. “Se vir um número norueguês a ligar, por favor atenda”, brincou o presidente do Comité Nobel.
Posteriormente, quando soube da notícia, Pillay brincou dizendo que não acreditava que a notícia fosse real. “Deve ser uma piada”, disse ela, num discurso improvisado de aceitação do lado de fora de uma das salas do Palácio da Justiça de Nuremberga, na Alemanha, onde acontecia uma conferência sobre crimes de guerra.
“Seus aplausos significam tudo para mim”, afirmou para a pequena multidão que se reuniu ao seu redor quando a notícia lhe foi dada. “Mas, sendo advogada e juíza, ainda quero verificar isso.” Ela ainda brincou: “Se vocês baterem mais palmas, posso acabar por dividir esse prémio com Trump”.
A vencedora do Nobel da Paz do ano passado, a venezuela María Corina Machado, entregou a sua medalha ao Presidente dos Estados Unidos em Janeiro. Além da medalha de ouro, Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas.
Reacções de Guterres, Trump e Netanyahu
A atribuição do Prémio Nobel da Paz à jurista sul-africana ‘Navi’ Pillay provocou as mais diferentes reacções, com o Secretário-Geral das Nações Unidas a elogiar o feito, e os líderes norte-americano e israelita a tecerem críticas.
Para António Guterres, o prémio atribuído à Navi Pillay “presta homenagem a todos aqueles que trabalham para defender e promover o direito internacional”.
Segundo o Secretário-Geral da ONU, além disso, o galardão mostra a importância “do Estado de Direito e dos direitos humanos, e de garantir a paz, a justiça e a dignidade humana”, declarou o líder da ONU, numa mensagem publicada nas redes sociais, elogiando a carreira nacional e internacional de Pillay.
Por seu turno, o Presidente dos Estados Unidos republicou uma crítica ao Comité Nobel norueguês, após o Prémio Nobel da Paz ter sido atribuído a “Navi” Pillay, considerando que “envergonhou irremediavelmente a sua própria reputação”.
“Hoje, o Comité Nobel envergonhou irremediavelmente a sua própria reputação e rebaixou o outrora grandioso Prémio Nobel da Paz ao atribuí-lo a Navi Pillay”, lê-se numa publicação na Truth Social, a rede social de Donald Trump. No comentário, republicado por Trump, destaca-se que “Pillay é uma assumida inimiga dos Estados Unidos e de Israel”, que “celebrou terroristas e recompensou o Hamas”.
Na mesma linha defendida pelo líder norte-americano, o Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou o Comité Nobel de ter “perdido a bússola moral”, ao atribuir o Prémio Nobel da Paz à Navi Pillay, que presidiu à comissão de inquérito da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.
“Concederam o seu máximo prémio a uma fanática que construiu a sua carreira inventando e propagando calúnias sangrentas contra o único Estado judeu”, assinalou o gabinete de Benjamin Netanyahu, numa mensagem na rede social X e citada pela Lusa.




