Kinshasa — O surto de Ébola na República Democrática do Congo estendeu-se à província de Ubangi do Norte, elevando para oito o número de províncias afectadas pela estirpe Bundibugyo desde o início do surto, em meados de Maio, segundo informações divulgadas por responsáveis sanitários citados pela Reuters.
A expansão geográfica da doença aumenta a pressão sobre os serviços de saúde e dificulta os esforços de vigilância epidemiológica. A nova província afectada faz fronteira com a República Centro-Africana, circunstância que reforça a preocupação com a possibilidade de transmissão para territórios vizinhos.
De acordo com os dados citados pela agência, o surto já ultrapassava nove mil casos e quatro mil mortes. Estes números evidenciam a dimensão da emergência sanitária e os desafios enfrentados pelas equipas de resposta na identificação de novos casos, no acompanhamento dos contactos e no tratamento dos doentes.
A província de Ituri continua a ser apontada como o principal epicentro, embora tenham sido identificadas infecções noutras áreas, incluindo Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo, Haut-Uele, Bas-Uele e Ubangi do Sul. A dispersão territorial exige uma coordenação permanente entre as autoridades nacionais e as estruturas sanitárias locais.
Na zona sanitária de Wapinda, em Ubangi do Norte, mortes suspeitas motivaram a recolha de amostras para análise laboratorial. A confirmação e a investigação destes episódios são importantes para determinar a extensão real da transmissão e orientar as medidas de resposta.
A situação ultrapassa as fronteiras congolesas. Foram igualmente registados casos relacionados com o surto no Uganda e no Quénia, aumentando a necessidade de reforçar a vigilância nas zonas fronteiriças, a identificação de pessoas expostas e a partilha de informações entre os países.
A contenção do surto depende da detecção precoce, do isolamento e tratamento adequados dos doentes, da protecção dos profissionais de saúde e da cooperação com as comunidades. A comunicação clara dos riscos e a confiança nos serviços sanitários são igualmente importantes para evitar atrasos na procura de assistência médica.




