Kinshasa — O surto de Ébola na República Democrática do Congo já provocou quatro mil e 18 mortes, segundo dados governamentais divulgados esta sexta-feira, tornando-se o mais grave da história do país e um dos maiores surtos da doença registados no mundo.
As autoridades contabilizam oito mil e 300 casos confirmados em sete províncias. Mais de duas mil pessoas recuperaram da doença, mas a transmissão continua a avançar em várias zonas do leste do país, apesar de alguns sinais de redução do número de novos casos em Ituri, onde o surto teve início.
A epidemia é provocada pela espécie Bundibugyo do vírus Ébola. Com a actual contagem, o surto ultrapassou a epidemia registada no Congo entre 2018 e 2020 e passou a ser o maior e mais mortífero de que há registo no país.
A província do Kivu Norte continua entre as zonas mais afectadas. A expansão da doença é agravada pelas dificuldades de acesso às comunidades, pela insegurança e pelas limitações enfrentadas pelas equipas de saúde e organizações humanitárias.
A província de Ubangi Sul, no Noroeste, tornou-se recentemente a sétima província afectada, depois de um homem que tinha viajado do leste do país ter morrido em consequência da doença. O caso demonstra o risco de disseminação para regiões anteriormente não atingidas.
A actual epidemia já é ultrapassada em dimensão apenas pelo grande surto da África Ocidental de 2014-2016, que infectou mais de 28 mil e 600 pessoas e provocou mais de 11 mil mortes na Guiné, Libéria e Serra Leoa.




