Tribunal belga julga ex-diplomata por assassinato de Patrice Lumumba

Foi decido por um tribunal da Bélgica levar a julgamento um antigo diplomata de 93 anos, o conde Étienne Davignon, no âmbito do processo sobre o assassinato de Patrice Lumumba, primeiro-ministro da República Democrática do Congo e uma das principais figuras do pan-africanismo.
Em reacção a família de Lumumba classificou a decisão como “histórica”, considerando-a um passo importante na busca por justiça.
Referir que Lumumba foi morto em 1961, poucos meses após liderar o país rumo à independência. Executado por um pelotão de fuzilamento, o seu corpo foi posteriormente dissolvido em ácido, num crime que chocou o mundo. Décadas depois, apenas um dente foi recuperado e devolvido à família, em 2022.
Entretanto, segundo diversas investigações históricas, o assassinato envolveu interesses internacionais durante o contexto da Guerra Fria.
As informações divulgadas pela imprensa belga, confirmam ainda que a CIA terá estado envolvida em planos para eliminar o líder congolês, enquanto forças congolesas apoiadas pela Bélgica terão executado a operação.
Durante mais de seis décadas, ninguém foi responsabilizado judicialmente pelo crime.
Agora, Davignon torna-se o último sobrevivente entre os dez belgas inicialmente apontados no caso e o primeiro a enfrentar julgamento.
O caso reacende o debate sobre crimes do período colonial e a responsabilização de antigos atores políticos europeus na África.



