Trump retira tarifas das importações de bananas e café

Washington - Os Estados Unidos decidiram remover as tarifas comerciais que tinham sido aplicadas à importação de alguns alimentos e outros produtos de países da América Latina como a Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador, no contexto dos acordos que estão a ser negociados para dar às empresas americanas um maior acesso a esses mercados.
De acordo com responsáveis do Governo norte-americano, citados pela Reuters, estes acordos deverão ser finalizados e assinados nas próximas duas semanas. Até ao final do ano poderão ser ainda assinados novos acordos adicionais.
O objetivo é ajudar a reduzir os preços das importações de café, bananas e de outros produtos alimentares, disse fonte oficial da Administração de Donald Trump, acrescentando que o Governo americano espera que os retalhistas possam transferir os efeitos positivos destes acordos para o bolso dos consumidores americanos.
Do lado dos governos da Argentina, El Salvador, Guatemala e Equador, os acordos com os EUA foram bem recebidos, garante a Reuters, sendo que estes deverão manter as tarifas em vigor de 10 e 15% sobre a maioria dos produtos importados destes quatro países.
No entanto, serão removidas as tarifas que incidem sobre diversos produtos que não são cultivados, extraídos ou produzidos nos Estados Unidos, como é o caso das bananas e do café.
Esta semana, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, adiantou que os EUA estão a planear para os próximos dias alguns anúncios "substanciais" que levarão à queda dos preços do café, bananas e outras frutas, como parte de um esforço do governo Trump para reduzir o custo de vida dos americanos.
Por seu lado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, discutiram numa reunião bilateral que também teve lugar esta semana os moldes para uma futura relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil, revelou o Departamento de Estado.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, no entanto, as exportações para os EUA enfrentam neste momento tarifas de 50% impostas pelo presidente americano. No entanto, Trump insiste que os custos de vida mais elevados que os americanos enfrentam foram causados por políticas implementadas pelo ex-presidente Joe Biden, e não pelas tarifas comerciais impostas a quase todos os países do mundo.
Esta quinta-feira, o jornal "The New York Times" noticiou que a Administração Trump estaria também a considerar a adoção de novas isenções tarifárias para produtos alimentares importados de outros países da América Central e do Sul, como carne bovina e frutas cítricas, com o objetivo de reduzir os preços, abrangendo até países que não firmaram acordos comerciais com os EUA.
Estes acordos, semelhantes aos que já foram negociados com vários países asiáticos, em outubro, incluem também o compromissos de não cobrar impostos sobre serviços digitais de empresas americanas, além da remoção das tarifas sobre produtos agrícolas e industriais dos EUA, disse fonte da Administração Trump, acrescentando: "Desta forma, mantemos as tarifas, concedemos algum alívio tarifário a certos produtos ou mercadorias, mas, ao mesmo tempo, abrimos alguns mercados estrangeiros de uma forma que não era possível antes".


