Luanda - O Uganda celebra, esta sexta-feira, o 64.º aniversário da sua independência nacional, numa altura em que as autoridades governamentais estão empenhadas no desenvolvimento económico e social do país, em prol do bem-estar das populações.
Luanda - O Uganda celebra, esta sexta-feira, o 64.º aniversário da sua independência nacional, numa altura em que as autoridades governamentais estão empenhadas no desenvolvimento económico e social do país, em prol do bem-estar das populações.
País da África Oriental, o Uganda saiu do domínio colonial britânico em 1962, após cerca de 70 anos, tornando-se membro das Nações Unidas a 25 de Outubro do mesmo ano.
O Uganda foi descoberto em 1862 pelo explorador inglês J. H. Speke e, em 1888, o território cai sob domínio da Grã-Bretanha, após ter reprimido, dois anos antes, uma rebelião muçulmana.
Em 1894, a região torna-se protectorado britânico. O colono instala fazendas altamente produtivas nas terras férteis do território.
Durante a l Guerra Mundial, o Norte do lago Vitória é cenário de batalhas navais entre britânicos e alemães.
Depois de uma rebelião, em 1949, o Governo colonial britânico concede gradual autonomia à região.
Em 1955 é criado um Parlamento.
O Congresso Popular do Uganda, partido político liderado por Milton Obote, passa a ser a força dominante até que, a 9 de Outubro de 1962, o Uganda conquista a independência nacional.
Após libertar-se do domínio britânico, o Uganda deu os primeiros passos inicialmente como uma monarquia constitucional, com Milton Obote como primeiro-ministro.
Em 1963, o país tornou-se uma República, e o Rei de Buganda (o maior reino tradicional), Sir Edward Mutesa II, assume a Presidência do país.
Em 1966, Milton Obote rompe com o Presidente Mutesa II, ordena um ataque ao Palácio Real, suspende a Constituição e abole os reinos tradicionais, concentrando o poder nas suas mãos até se declarar Chefe de Estado, em 1967.
Em 14 de Janeiro de 1971, o chefe do exército, general Idi Amin Dada, derruba Milton Obote em um golpe militar.
O regime de Amin torna-se um dos mais brutais da história africana, marcado pela perseguição a intelectuais, expulsão da comunidade asiática do país em 1972 e a morte estimada de 100 mil a 300 mil ugandenses.
Após invadir a Tanzânia, Idi Amin foi deposto em 1979 por uma força conjunta do exército tanzaniano e de rebeldes ugandenses, fugindo para o exílio.
Após governos provisórios curtos, eleições gerais muito contestadas em 1980 trouxeram Milton Obote de volta ao poder.
O novo Governo de Obote gerou forte oposição e desencadeou uma violenta guerra civil.
Em 1985, Obote foi deposto por uma facção militar interna liderada pelo general Tito Okello.
Em 29 de Janeiro de 1986, o Exército de Resistência Nacional (NRA), liderado por Yoweri Museveni, captura a capital de Kampala e assume o controlo do país, prometendo restaurar a paz e a democracia.
Em 1995, o Uganda adopta uma nova Constituição, que sofreu alterações ao longo dos anos, facto que permitiu remover as limitações aos mandatos presidenciais.
Passados 64 anos de independência, o Uganda tem apresentado resiliência económica, registando um crescimento de cerca de 6,4% no último ano fiscal, o que impulsiona a procura interna, agricultura, turismo e investimentos em infra-estruturas.
As previsões apontam para uma expansão ainda maior com o início da produção comercial de petróleo.
O sector agrícola, enquanto base da economia, emprega a maior parte da população, com destaque para a exportação de café e culturas de subsistência.
Já ao nível das infra-estruturas e planeamento, o Governo tem investido em redes rodoviárias, energia e em planeamento estratégico, como o Quadro de Transição Justa (2025), para modernizar os transportes e impulsionar a integração regional na África Oriental.
Entretanto, apesar dos índices de desenvolvimento, o Uganda continua a enfrentar debates internos sobre pluralismo político, direitos humanos e sucessão de liderança.
Os 64 anos de independência do Uganda decorrem sob o lema “Abraçando a nossa soberania com esperança e liderança visionária”.
Para assinalar a efeméride, várias acções estão a ser realizadas, com destaque para a entrega de medalhas de honra da independência a figuras distintas.
Entre os homenageados está o actual Presidente da República, Yoweri Kaguta Museveni, de 82 anos de idade, que governa o país desde 29 de Janeiro de 1986.
O nome Uganda deriva do Reino do Buganda, considerado administrativamente como uma entidade semi-autónoma, compreendendo toda a região central do país, incluindo a capital, Kampala.
O Uganda, que tem o inglês, suaíli e luganda como as línguas mais faladas, mantém excelentes relações de amizade e solidariedade com Angola, fundamentadas na unidade africana.
Os dois países cooperam em sectores como diplomacia, comércio, agricultura, educação, saúde, defesa e segurança, além de coordenarem as suas posições em fóruns regionais, continentais e multilaterais.
O Uganda é o segundo país sem mar mais populoso no continente africano e faz fronteira a Leste com o Quénia, a Norte com o Sudão do Sul, a Oeste com a República Democrática do Congo, a Sudoeste com Rwanda e a Sul com a Tanzânia.
A parte Sul do país inclui uma parcela substancial do Lago Vitória, compartilhado com o Quénia e a Tanzânia, situando o país na região dos Grandes Lagos Africanos. MRA/MCN




