O presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, considerou, terça-feira, em Luanda, a juventude o maior activo estratégico de Angola, sendo, por isso, “o mais desafiante para as políticas públicas, económicas e sociais.”
Ao intervir na abertura do seminário sobre “A Juventude e o Primeiro Emprego”, em alusão ao Dia Internacional da Juventude, que se assinala hoje, Adão de Almeida disse que, num contexto tão desafiante como o actual, “é necessário formar jovens proactivos, criadores, ousados e determinados”. Nos processos de aprovação de leis e de fiscalização para a sua aplicação, frisou Adão de Almeida, a Assembleia Nacional deve assegurar que as acções caminhem em direcção à promoção do investimento privado, do fomento da competitividade económica, do reforço da protecção social, bem como da criação de um ambiente favorável à geração de emprego. Segundo o líder do Parlamento, a inserção no mercado de trabalho, para os jovens, representa, também, um instrumento de promoção do desenvolvimento, redução da exclusão social, combate à criminalidade e de diminuição das migrações forçadas. Na sua visão, investir em políticas públicas que promovam de modo eficaz o primeiro emprego significa potenciar a paz social, “sobretudo num país como Angola, eminentemente jovem, a nível do continente africano”. Neste quadro, continuou, são de saudar e incentivar as acções governativas que colocam a juventude no centro da estratégia de desenvolvimento nacional, bem como as políticas públicas orientadas para a sua valorização, em particular para a inserção no mercado de trabalho. Adão de Almeida ressaltou, de modo especial, a importância das políticas de diversificação da economia, da promoção de um sector empresarial robusto e do empreendedorismo jovem, considerando o potencial que possuem num contexto económico em que “o Estado não é, nem pode ser, o principal empregador”. Crescimento demográfico exige respostas inovadoras A velocidade do crescimento da população jovem em Angola, salientou o presidente da Assembleia Nacional, exige respostas cada vez mais inovadoras, uma expansão económica contínua e uma adequada preparação da juventude nos mais variados domínios. Nesse sentido, o líder parlamentar referiu ser urgente estabelecer um diálogo articulado entre o sistema de educação e de formação profissional e o mercado de trabalho. O objectivo, apontou, é garantir que a formação responda às reais necessidades dos jovens e às perspectivas de crescimento do país. Por outro lado, continuou, “não podemos perder de vista que vivemos momentos de rápidas e constantes transformações, sobretudo com a revolução digital, caracterizados por uma profunda incerteza quanto ao futuro do mercado de trabalho”. O líder parlamentar referiu, igualmente, que no meio de tantas incertezas em relação ao futuro próximo, “há certezas como, por exemplo, as profissões que já fazem parte do passado, as que tendem a desaparecer, e as novas que nascem e ganham espaço”. Por isso, sublinhou Adão de Almeida, é crucial formar os jovens não apenas para o presente, mas sobretudo com uma visão voltada aos desafios do amanhã. O líder parlamentar destacou que, ao realizar o seminário sobre “Juventude e o Primeiro Emprego”, a Assembleia Nacional reconhece que os jovens são, efectivamente, a força motriz para o desenvolvimento do país. Referiu, a propósito, que o Parlamento vai continuar a apoiar todas as iniciativas legislativas, institucionais e políticas que concorram para a promoção da educação, da formação profissional, da empregabilidade, do empreendedorismo, da inovação e da participação activa da juventude na vida nacional. Desafios globais complexosDe acordo com o presidente da Assembleia Nacional, o mundo enfrenta, simultaneamente, desafios económicos, sociais, tecnológicos, ambientais e geopolíticos de enorme complexidade. Adão de Almeida destacou que factores como a transição digital, a inteligência artificial, a automação de procedimentos produtivos, as alterações climáticas, as crises sanitárias, os conflitos internacionais, as migrações e as mudanças demográficas estão a transformar profundamente o mercado de trabalho e as competências exigidas às novas gerações. Face à realidade actual, o líder parlamentar afirmou que a juventude se encontra numa posição paradoxal: “Por um lado, representa a geração com a mais elevada qualificação académica; por outro, continua a ser aquela que enfrenta maiores dificuldades de acesso ao emprego e à estabilidade profissional.” Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), disse, os jovens continuam a apresentar taxas de desemprego significativamente superiores às registadas entre a população adulta. O líder parlamentar lembrou que a juventude é a mais afectada pela informalidade, pela precariedade laboral e pela insuficiência de oportunidades de inserção profissional. Esta realidade, sublinhou Adão de Almeida, levou as Nações Unidas a colocar a juventude no centro da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, reconhecendo que o futuro da humanidade vai depender da capacidade dos Estados em assegurar educação de qualidade, emprego digno, igualdade de oportunidades, inovação e participação activa dos jovens na vida pública. Embora possua dimensão global, ressaltou, o desafio assume proporções altamente relevantes no continente africano, considerando que este possui a população mais jovem do Planeta. Lembrou que, nesse contexto, estima-se que, por volta de 2050, África vai concentrar a maior força de trabalho jovem do mundo.




